[ Diocese ]



    Para as crianças, jovens e adultos

    Crestuma (V. N de Gaia)


    Descendo até ao Douro, qual aguarela onde se mistura a beleza que a natureza lhe deu com o salpicado das cores do casario, Crestuma foi, até pouco mais dos meados deste século, uma das freguesias mais industrializadas do Concelho de Gaia, predominando as fábricas de fundição, fiação e tecelagem. O rio Douro era a grande via de transporte da matéria prima e de saída dos produtos industriais. As marchas de Crestuma a que o poeta Eugénio Paiva Freixo emprestou a letra feita poema e o músico António Ferreira Alves, ambos desta terra, deu forma musical, transmitem de geração em geração toda a azáfama vivida nessa época: «Ó Crestuma tecedeira/ Das fitas que nos enlaçam/ Dos apitos a vibrar/ Dos operários que passam./ Enquanto houver destas fitas/ nos teares dos nossos pais/ Enquanto houver destas fitas/ Crestuma não morre mais».
    Crestuma mudou. Mudou muito. Outrora, operária e camponesa, generosa nos postos de trabalho que oferecia, oferece hoje o dinamismo e o saber de muitos Crestumenses que, nos diversos ramos da actividade, no país ou no estrangeiro, concorrem para o desenvolvimento da sociedade humana.
    Com cerca de cinco mil habitantes, Crestuma continua cheia de vitalidade: nas suas pequenas indústrias e comércio, no espírito associativo e alegria das colectividades, nos serviços que oferece nas instituições públicas existentes, nos movimentos e grupos de trabalho da Paróquia, na Catequese aos vários níveis etários, destacando-se os muitos adolescentes e jovens, que são uma esperança para o futuro da Paróquia.
    Nesta Terra, de tão ricas tradições e pujante de vida, a Comunidade cristã sentiu o imperativo de dar resposta às necessidades que se faziam sentir quanto à falta de espaços para a catequese das crianças, adolescentes e jovens, a aumentar de ano para ano, e também a falta de um centro de acolhimento e convívio destinado a toda a população, especialmente, os mais idosos e reformados.
    Foi assim que surgiu a ideia da construção do Centro Paroquial, há pouco inaugurado. Trata-se dum edifício cheio de luz e funcionalidade que forma com a igreja um corpo harmonioso. Divide-se em três áreas principais: zona de acolhimento e convívio, constituída por bar com as respectivas áreas de apoio e um salão polivalente, que será usado também para fins culturais; zona de atendimento do Pároco, constituída por gabinete e sala de reuniões e espera. No piso superior, em espaço amplo e funcional, distribuem-se oito salas de catequese, zona que é complementada com um amplo terraço, donde pode desfrutar-se a maravilhosa panorâmica sobre o Douro. Inclui-se, ao nível da cripta, em local calmo e recatado, duas capelas mortuárias.
    O custo total da obra foi cerca de 60 mil contos, custeada, em cerca de 75 por cento pela população que, pelas mais diversas formas de angariação -cotizações, cortejos de oferendas, peditórios e donativos, colaborou com a maior generosidade, ao longo de 7 anos, tornando possível a construção do Centro Paroquial. Houve ofertas generosas de benfeitores e subsídios das Entidades Oficiais, nomeadamente da Câmara Municipal de Gaia, Governo Civil do Porto e Junta de Freguesia. Todo o trabalho de coordenação, relacionado com a angariação de fundos, contabilidade e acompanhamento técnico foi realizado, com espírito de serviço e corresponsabilidade, pela Comissão de Obras da Paróquia, constituída por 25 elementos que cumpriram exemplarmente a missão que assumiram.
    A inauguração em 16 de Maio, foi o corolário de todo esse esforço e uma festa com dignidade e brilho.
    Houve desfile das colectividades com seus estandartes, recepção às Entidades Oficiais e convidados, entre os quais D. António Maria, Bispo Auxiliar, e o Vigário da Vara. Todos estes foram saudados pela Sociedade Filarmónica de Crestuma e por um piquete dos Bombeiros Voluntários de Crestuma. Houve depois Eucaristia concelebrada que teve o apoio do Grupo Coral do grupo de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Depois foi a Bênção do Centro Paroquial e o descerramento da lápide alusiva ao acontecimento.
    A visita ao terraço permitiu admirar uma panorâmica única. E foi assinado o livro de Honra pelo Bispo, Entidades, padres e todos os paroquianos que quiseram. No rosto de todos havia satisfação pelas instalações do Centro Paroquial.
    A festa da inauguração terminou com jantar, excelente ocasião para confraternização e partilha de sentimentos de alegria, satisfação e gratidão.
    Valeu a pena todo o esforço, canseiras e sacrifícios. A Paróquia tem agora óptimas instalações para bem de todas as pessoas.