[ Especial ]



    Página de Natal


    Natal

    Será que Te vão receber, ainda,
    Menino, Redentor da Humanidade!?...
    O mundo sofre em dor e ansiedade,
    Aguarda com temor a Tua vinda!

    « - Sereis iguais a Deus», disse a Serpente...
    E deste modo foi tentado Adão!
    Depois, Caim matou o seu irmão...
    Aqui reside o Mal que o homem sente...

    Vem, vem nascer de novo, ó Meu Jesus!
    Rasga, nas almas, toda a escuridão...
    Que as impede de ver a Tua Cruz.

    Renova uma vez mais a Salvação;
    Nos céus de Belém reacende a Luz...
    Que aos homens traga Amor, Paz e Perdão!

                              V. N. dos Santos – V. N. Gaia


    O pasteleiro de Belém
    Ulrich Knellwolf *

    Desde que começou o recenseamento da população que o negócio ia de vento em popa. O volume de vendas de Ben Baruch mais do que duplicara. Ben Baruch era o pasteleiro de Belém ou o confeiteiro da terra, como ele preferia ser chamado. Tinha aprendido a arte em Jerusalém e, de seguida, no seu peregrinar, chegou mesmo a Tiro e a Sidónia.
    Já há muito que Ben Baruch não cozia pão, pois, primeiramente, cozer coisa tão banal como pão estava abaixo da sua categoria e, em segundo lugar, quase todas as famílias em Belém coziam o seu próprio pão. Antes cozia-se na velha casa do pão que ficava no centro da vila. Mas havia sempre rixas para se saber de quem era a vez e por os últimos utentes não deixarem tudo arrumado e limpo. Isso aborrecia as pessoas e esse foi o motivo porque a casa do pão deixou de ser utilizada. O lavrador, em cujo terreno ela se situava, passou a usá-la como curral para o seu boi e o seu burro.
    Agora, porém, que tanta gente de fora vinha para se inscrever nas listas na câmara, e por isso mesmo todos os hotéis e pensões estavam superlotados, a procura de pão fresco era enorme. Ben Baruch pensou que era altura de fazer bom negócio, não de modo algum com pão vulgar, mas com croissants dum dourado brilhante. Por isso decidiu contratar um ou dois ajudantes e pôr de novo a funcionar transitoriamente a velha casa do pão como padaria de croissants. Um dia à noite, depois de fechar a loja, o pasteleiro Ben Baruch foi ter com o vizinho, o lavrador Eliahu, para lhe perguntar se não lhe podia ceder a casa do pão para cozer croissants, enquanto durasse o recenseamento. Eliahu não se mostrou logo muito entusiasmado. Onde havia de meter o boi e o burro? Mas não resistiu quando Ben Baruch lhe propôs uma participação nos lucros. “Vamos já lá para resolvermos a coisa”, sugeriu Eliahu. Havia grande aglomeração na vila, como aliás acontecia agora todos os dias. Todos os hotéis e pensões estavam ocupados até à última cama, nos restaurantes não havia um único lugar livre e nas ruas mal se podia circular. Quando Eliahu e Ben Baruch chegaram à casa do pão havia um aglomerado de gente em frente à porta, a espreitar lá para dentro. Gente do campo e pastores, como se podia concluir pela roupa e pelo cheiro. Eliahu e Ben Baruch lá conseguiram abrir caminho. “Mas o que é que se passa aqui?” gritou Eliahu. A porta da casa do pão estava aberta; viram o boi e o burro de Eliahu e em frente deles uma jovem, quase menina ainda, deitada num molho de palha, de pé junto dela um jovem e na manjedoira, donde habitualmente se alimentavam o boi e o burro, estava deitado um recém-nascido envolto em trapos.
    “O que vem a ser isto?” gritou Eliahu.
    “Foi um menino que nasceu”, disse uma mulher.
    “E tu é que és o pai?” perguntou Ben Baruch ao jovem. Ele acenou que sim.
    “Quem vos autorizou a vir aqui para dentro?”
    “Não arranjámos lugar em lado nenhum e”, apontando para a sua jovem mulher, “tinha chegado a sua horinha.”
    “É que nós queremos voltar a cozer nesta casa”, acrescentou Ben Baruch.
    “E onde é que nos havemos de abrigar?”, perguntou desesperado o jovem.
    “O problema não é nosso”, respondeu Ben Baruch. “Pegai nas vossas coisas. Estão a chegar os meus dois empregados para limpar tudo, que amanhã cedo começamos a cozer.”
    “E eu vou já levar o meu boi e o meu burro”, disse Eliahu.
    “Vá, despachai-vos”, insistia Ben Baruch.
    Nesse momento a multidão em frente à porta abriu caminho. Do céu veio uma luz brilhante e entraram três homens, que, pelas roupas que traziam e apesar de cobertos de pó, bem se via que se tratava de reis. Sem prestarem atenção nem a Eliahu nem a Ben Baruch, só tinham olhos para o menino deitado na manjedoira. “Aqui está ele, o recém-nascido rei dos judeus”, disse o primeiro. E o segundo acrescentou: “Veio até nós, o salvador do mundo”. E o terceiro: “O grão de trigo, que cai na terra e produz fruto, mil por um, para nosso bem.”
    “O pão da vida!”, saiu da boca de Ben Baruch, o pasteleiro, sem ele saber como. Os reis olharam para ele. “Tens razão”, disse o primeiro. “Toda a razão”, disse o segundo. E o terceiro: “Nem imaginas como tens razão.”
    Então os reis depositaram os seus presentes na manjedoira, aos pés do menino, presentes que Ben Baruch, ao vê-los, ficou tão espantado que até se lhe parou a respiração.
    Depois de os reis terem deixado a casa do pão, chegaram a correr os dois empregados de Ben Baruch. “Eles ainda cá estão”, exclamou um deles, apontando para os dois jovens e para a criança, “e é preciso fazer a limpeza.” “Deixai-os e ide para casa”, disse-lhes Ben Baruch. E virando-se para o seu vizinho Eliahu acrescentou: “Claro que não podemos pô-los fora.” “Pois não”, concordou Eliahu.
    Quando Ben Baruch chegou a casa, a mulher perguntou: “O quê, já não vais cozer croissants na casa do pão? Porquê?”
    “Porque a casa do pão faz mais falta para outra coisa.”
    “E o que é?”
    “O pão da vida”, respondeu Ben Baruch, o pasteleiro, e contou à mulher tudo o que tinha visto e ouvido.
    Pois é, meus amigos, não foi por acaso que Jesus nasceu em Belém. Muito pelo contrário. Foi uma profecia, um sinal, de que ele havia de tornar-se o pão da vida para nós. É que Belém significa precisamente casa do pão.

    * Escritor suíço. Traduzido do alemão por Américo Monteiro

    Conto verdadeiro de Natal

    Os meus netos gostam muito que eu lhes conte histórias. Umas são inventadas, outras verdadeiras. Estas últimas normalmente são de coisas que se passaram com os pais deles, quando eram pequeninos.
    Tenho um desses netinhos num hospital, gravemente doente. O nome dele é Bernardo. Na capela desse hospital, onde vou rezar, pedir pela sua cura, reparei que há uma imagem do Menino Jesus. Veio-me logo à ideia que Ele podia ser amigo do Bernardo, uma vez que é criança como ele ..
    Depois de ter pensado nisto fui para cima, para junto do meu neto e lembrei-me de lhe contar muito baixinho, para não o perturbar uma historinha.
    É essa história que eu vou contar agora.
    Bernardo tens aqui ao teu lado, um amigo novo que se chama Jesus. Tem calma que ninguém te vai fazer mal Tudo vai passar, tu vais ficar bom, vais voltar de novo à escola, andar de bicicleta, ir à pesca e brincar muito.
    No dia seguinte já não era eu que contava essa história mas sim esse amigo novo.
    Bernardo! tem calma, Eu estou aqui junto de ti, ninguém te faz mal, tudo vai passar, tu vais ficar bom. Eu sou o teu amigo novo. O meu nome é Jesus, meu pai chama-se José e minha mãe é Maria.
    Bernardo, quando fores para a escola tens de dizer aos teus amiguinhos que tens um amigo novo, que se chama Jesus, porque eles não me conhecem. Bernardo, diz-lhes também que eu sei jogar "foot-ball", andar de bicicleta, pescar, jogar caricas e que eu gosto muito de brincar.
    Quando eu estava junto do meu neto, peguei num papel que arranjei ali à mão e uma caneta e comecei a escrever esta história. De repente vi chegar junto de mim uma criancinha. A princípio achei um pouco estranho, uma vez que nos "cuidados intensivos" não pode entrar qualquer pessoa. O miúdo ficou parado, só a olhar para o meu neto, durante algum tempo. Depois disse: eu só vinha ver o Bernardo, mas ele vai ficar bom. Nessa altura vieram-me as lágrimas aos olhos. Depois de olhar bem para ele percebi que se tratava do Octávio, um pequeno que tinha estado também, nos "cuidados intensivos" numa cama, perto da do Bernardo. Como tinha melhorado foi para uma enfermaria. Ia embora nesse dia e não quis partir sem o ir ver. Pedi-lhe para rezar pelo Bernardo e ele respondeu: Já tenho rezado muito por ele.
    Que exemplo maravilhoso me deixou aquele pequeno, de 13 anos, ao esquecer-se de si para pedir por outra criança, que ele não conhecia.
    Deu-me a sua direcção e eu prometi escrever-lhe.
    Que este Natal seja vivido por todos nós no verdadeiro sentido da palavra. Com muito Amor, Paz e Alegria.
    A todos que lerem esta História verdadeira, peço que rezem a Jesus três Avé Marias pela cura do Bernardo.

    Vó Milena


    É Natal


    É Natal
    aí vem
    a Família de Nazaré
    o mundo acordar
    na Beleza
    da simplicidade
    e na Grandeza
    da humildade.

    Jesus
    bate à nossa porta
    quer entrar
    em nossas vidas.
    É Natal
    deixemos o Menino
    entrar
    Maria e José também

    O Natal
    é a verdade
    de Deus
    na procura
    dos filhos Seus
    que Jesus
    veio salvar
    e quer ajudar.

    Cumprido
    o tempo
    na Lei Final
    Jesus veio,
    vem
    e virá…
    Jamais deixará
    de ser Natal!!!

    Margarida Rosa Vieira