[ Especial ]



    À volta da sexualidade e temas afins

     Alexandrino Brochado


    As palavras e as pessoas têm a sua moda. No falar, no escrever, no vestir, no cantar, até no ler, a moda dita os seus princípios e as suas ordens. Mesmo que não possamos compreender alguns dos nossos escritores e se perguntarmos a algumas pessoas se sentem prazer e utilidade na leitura de determinados autores, muitos dirão que não gostam, mas lêem porque está na moda. Todos gostam de dizer que estão actualizados.
    Presentemente, um dos assuntos que está na moda é a sexualidade e assuntos afins. É um bombardeamento permanente de sexualidade, nos órgãos de comunicação social, televisão, internet, rádio, jornais, revistas, colóquios, conferências, etc., etc., tudo aponta as suas baterias para o sexo que, presentemente, é rei e senhor de todas as conversas. Sobretudo em certos programas televisivos a insistência com que se debate ao almoço e ao jantar, em todos os cantos e esquinas, em todas as salas e salões, em todos os colóquios e debates, o tema da sexualidade tão insistentemente trazido aos canais da informação, tudo isto chega a provocar náuseas e verdadeiro cansaço.
    Há dias, num certo canal da nossa TV, uma locutora de grande audiência, perguntou a uma criança de 6 anos (eu ouvi) se já tinha namorado. A criança nada respondeu e mostrou-se contrafeita com esta pergunta disparatada. No mesmo canal e com a mesma locutora, foi perguntado a uma senhora idosa, de setenta e dois anos que estava num lar, se não tinha lá um idoso da sua idade que lhe catrapiscasse um olho maroto. A senhora não respondeu e ficou embaraçada (eu ouvi). Ao ouvir estas perguntas autenticamente desajustadas no tempo e no espaço em que foram proferidas, pensei que esta obsessão do sexo parece revestir-se dos sintomas duma doença crónica a roçar pelos limites duma espécie de pandemia.
    Nós não somos contra a informação e formação sensata e prudente sobre os princípios da verdadeira sexualidade. Somos a favor, sabendo, todavia, que os melhores informadores e formadores do substrato moral e ético das crianças deveriam ser os próprios pais. Mas, perguntamos com toda a pertinência: que cultura e formação tem a maior parte dos pais para poderem informar e formar os seus filhos em matéria tão delicada e difícil como é a sexualidade?
    A resposta certamente que será negativa. Por isso temos de concluir que o assunto sexualidade é demasiado delicado e importante para ser confiado a qualquer professor que não tenha uma formação adequada. Conheço alguns casos em que as aulas de sexualidade foram um verdadeiro fracasso.