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    É uma blasfémia ligar Deus à guerra

    Rui Osório *


    A Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas instituições académicas do Mundo, recebeu fortes críticas por permitir a publicação de um anúncio que questionava o Holocausto. Segundo a CNN, a polémica propaganda saiu na revista “The Harvard Crimson” e colocava em dúvida o extermínio do antigo campo Birkenau, também conhecido como Auschwitz II, onde milhares de pessoas foram executadas durante a 2.ª Guerra Mundial.
    Os responsáveis pela revista reconheceram o erro e pediram desculpas. O presidente da “Crimson", Maxwell L. Child, prometeu que a revista tentará “evitar lapsos como esses no futuro”. O estranho é que a revista foi recentemente nomeada, quanto a notícias e reportagens, como a melhor de todas as universidades americanas.
    De sentido bem contrário foi o apelo de líderes religiosos, reunidos, há dias, em Cracóvia (Polónia), que afirmaram profeticamente: “as religiões recusam a guerra e recusam ser usadas em nome da guerra”. Foi o apelo do encontro internacional de líderes religiosos e chefes de Estado, promovido pela Comunidade de Sant’Egídio, para, juntos, reflectirem sobre “Religiões e culturas em diálogo” e o seu contributo para a paz.
    “Falar de guerra em nome de Deus é uma blasfémia. Nenhuma guerra é santa. A Humanidade sai sempre derrotada pela violência e pelo terror”.
    Os vários líderes religiosos afirmaram que o “diálogo contraria o medo e a desconfiança”, sendo esta a grande “alternativa à guerra”.
    Os participantes sublinharam, ainda, que o diálogo “não enfraquece a identidade mas faz redescobrir o melhor de si e do outro. Nada se perde com o diálogo. O diálogo escreve a melhor história, enquanto o conflito abre abismos”.
    No final do encontro os participantes comprometeram-se a construir “com paciência e audácia um novo tempo de diálogo”.
    Cracóvia foi escolhida para assinalar o 70º aniversário do início da 2ª Guerra Mundial e os 20 anos depois do fim da “Cortina de Ferro”. O último dia do encontro foi reservado para uma visita ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.
    Recorda-se que a 2ª Guerra Mundial provocou o maior genocídio na história da Humanidade, condenando à morte seis milhões de pessoas, 80% das quais pertenciam à comunidade judaica. Foi no local onde milhões de inocentes perderam a vida que os líderes religiosos mundiais gritaram “nunca mais” a guerra. Ou seja, esse crime contra a Humanidade “não pode voltar a acontecer”, apesar de qualquer de nós se lembrar de antigas ou de novas situações dramáticas no Mundo.
    É uma ignomínia de péssimo gosto negar ou branquear o Holocausto. Mas, atenção!, é bom que haja a coragem de criticar e de condenar outros atentados contra a Humanidade, como o comunismo da antiga URSS e dos seus satélites.
    Houve tempo em que a “intelligentzia” europeia fingiu que não sabia nada das atrocidades do comunismo do Leste!

    conegoruiosorio@diocese-porto.pt