[ Suplemento Carvalhido ]



    Paróquia do Carvalhido - Porto

    Templo renovado, Igreja edificada


    Não se restauram apenas monumentos antigos. Como sabemos pelas nossas casas, mesmo o que parece novo necessita de uma adequada manutenção. A começar pelo nosso organismo que exige manutenção diária, sob pena de recessão.
    Uma igreja-templo que tem quarenta anos já adquiriu direito a uma cara renovada, mesmo mantendo a sua estrutura inicial e respeitando os sentidos que a arquitectura original nela imprimiu.
    Foi o que aconteceu na Igreja do Carvalhido. O restauro fez-se em duas fases: na primeira garantiu-se a conservação do exterior e a supressão do que de mais difícil têm as construções, as pequenas e as grandes: a infiltração de águas e de humidades. A segunda voltou-se para o embelezamento e requalificação do interior. Mantendo o essencial da estrutura, verifica-se uma visível ampliação do espaço, um refazer dos elementos decorativos, a colocação de um novo órgão a valorização da centralidade do altar, pólo de atracção da assembleia como um todo e de cada membro que a compõe. É ali, de facto, que se realiza o mistério da presença de Cristo, Palavra e Pão da vida, e que se concentra o alcance de toda a oração comunitária. O sentido dos elementos significativos e decorativos é devidamente explicado pelo arquitecto da obra, autor também de elementos icónicos que procuram orientar para o significado histórico e eclesial do Padroeiro da Paróquia, o Sagrado Coração de Jesus.
    Mas sobretudo devem ser ressaltados dois aspectos fulcrais em todo o processo: a acção dinamizadora do pároco e das estruturas paroquiais (Conselho da Fábrica da Igreja, conselho de técnicos de acompanhamento e do arquitecto e engenheiros responsáveis pela obra), mas sobretudo a participação dos membros da comunidade paroquial, que se deixaram mobilizar para a realização de um projecto que manifesta na cidade o sentido da fé. Erguido entre as casas onde vivem e trabalham os cidadãos, o templo é um sinal do espírito e um estímulo à reflexão e à oração.
    O homem de hoje necessita de tempos e espaços de meditação. Quantos problemas se solucionariam se cada um entrasse mais dentro de si mesmo, eliminasse o seu egoísmo, se deixasse imbuir por um espírito fraterno?
    Mas o espírito fraterno não é de geração espontânea: necessita a paragem, a concentração, a intimidade, a oração. Talvez o mal do nosso tempo seja a falta de tudo isto.
    Os construtores de igrejas são primacialmente construtores da Igreja, a tal das pedras vivas, onde cada um realiza de forma simples e devotada a sua missão. Não se constroem igrejas sem que antes tenha havido a construção de Igreja. Ou ao mesmo tempo. Ou numa dinâmica de futuro, porque nestas causas o passado é irmão do presente e pai do futuro.
    Ao P. Nuno Borges de Pinho, que neste ano cumpre o seu Jubileu de cinquenta anos de sacerdote, Voz Portucalense saúda pela realização desta obra e invoca o Senhor universal para que derrame sobre ele as suas bênçãos.

    M. C. F.