"Ora et labora" é a fórmula que tem sintetizado o pensamento de S. Bento de Núrsia, fundador dos Beneditinos, numa regra de vida cristã que permanece actual no limiar do III Milénio. João Paulo II, no dirigindo-se às abadessas e superioras beneditinas, recebidas em audiência no final do seu III Simpósio internacional, salientou que "hoje, como há mil anos, numa época de ansiedades e desorientação, o espírito da regra beneditina pode ajudar a humanidade a entrar no novo milénio, conservando no coração a paz da experiência pascal". E lembrou um dos pontos fundamentais da Regra de S. Bento: o apelo a escutar, com confiança e no silêncio, a voz de Deus que fala ao coração do homem: Ele fez com que S. Bento se tivesse tornado o fundador de uma civilização, enraizada na contemplação e na escuta da Palavra de Deus. Foi nesse silêncio que se torna contemplação que S. Bento e os seus discípulos encontraram energia para se tornarem defensores da cristandade e da cultura do seu tempo.
O Papa sublinhou ainda outra característica da espiritualidade beneditina que é o espírito de hospitalidade e de ensina apelo a "ver no outro não um inimigo, mas Cristo incarnado no próximo". E acrescentou que nos tempos de hoje, que são de transição como os da queda do império romano, a Igreja precisa de olhar com especial atenção especial para aqueles que, dessa forma, viveram iluminando e evangelizando todos os povos: "Não pode haver evangelização sem contemplação, que é um dos aspectos centrais da vida de S. Bento". E apelou às monjas beneditinas que continuem a viver num testemunho de oração e de trabalho as tornam dignas de consideração em todo o mundo.