[ Especial ]



    O dia 11 de Setembro e os acontecimentos recentes

    Comunicado do Clero da Diocese de Setúbal


    O dia 11 de Setembro último deixou profundas marcas em todos os povos, não só pelo terror e sofrimento causados pelos violentos atentados em Nova York e Washington, mas também pela tomada de consciência de que, no início do novo milénio, o mal, o terror, a violência, o fanatismo, continuam ainda a fazer parte da nossa experiência quotidiana.
    Nós, Bispo, padres e diáconos da diocese de Setúbal, reunidos neste dia para darmos início às actividades pastorais do novo ano, queremos, em primeiro lugar, dirigir a Deus, fonte da Vida e do Amor, preces por todos os que morreram nos terríveis atentados nos Estados Unidos, e também pelas suas famílias, e convidamos todo o povo de Deus confiado ao nosso cuidado pastoral a permanecer, connosco, em oração e solidariedade.

    1. Consideramos que, em nome da justiça, é necessário identificar e julgar os verdadeiros responsáveis pelos actos terroristas, tomar as necessárias precauções para evitar novos atentados, e eliminar as suas causas. No entanto, as medidas a tomar devem excluir tudo o que leve a alimentar a espiral de retaliação e de guerra, com destruição de vidas humanas.
    2. Queremos recordar que outras injustiças e violências igualmente gritantes existem hoje no mundo e provocam conflitos de todo o género. Estes só se podem resolver, não com a guerra, mas com uma nova ordem económica justa e uma nova política, no seio de uma cultura da vida e da dignidade de toda a pessoa humana, como nos ensinou Jesus Cristo.
    3. Na nossa civilização, existem contributos válidos de várias religiões, além do Cristianismo. O que rejeitamos é o terrorismo - e toda a forma de violência - seja ele praticado em nome de interesses políticos e económicos, seja em nome de qualquer religião.
    4. Embora se justifique uma grande apreensão perante os acontecimentos, propomos que se cultive uma viva e criteriosa atenção aos tempos que correm, mas com a necessária serenidade. Rezemos pelos morrem na guerra e pelos refugiados; rezemos para que não haja vítimas; rezemos para que o tempo da justiça e da paz chegue rapidamente.
    5. Dirigimo-nos, a partir do Evangelho e da experiência da história, a todas as pessoas, especialmente aos governantes, aos jornalistas, às famílias, aos professores, aos homens e às mulheres da cultura, e a cada uma das nossas comunidades cristãs, para que se deixem impregnar pela sabedoria e pelos valores do Evangelho e os transmitam convictamente às novas gerações.

    Setúbal, 9 de Outubro de 2001