As festas populares são, em Campanhã, no Porto Nascente, a mais forte marca cultural, mas ainda não devidamente reconhecida. Ano a ano, com o esforço da população e da Junta de Freguesia, as festas continuam a realizar-se à volta das igrejas, concluindo-se em 8 de Setembro, na Matriz de Campanhã, celebrando a Natividade de Nossa Senhora.
Em Março, se iniciam as festas, na Areosa, e prolongam-se por todo o Verão: Antas, 13 de Junho, Santo António; Azevedo, 3 de Junho, Senhor da Pedra, e São Pedro em 29; Calvário, 15 de Agosto, na Assunção, Nossa Senhora do Calvário; Bonfim, 2 de Setembro, Santa Clara. Em 8 de Setembro é a festa da Padroeira da Freguesia, na Matriz de Campanhã, com Missa às 11 horas, neste ano presidida por Mons. Américo Aguiar, Vigário Geral, e seguida de procissão com o andor da Padroeira.
Amanhã, 5ª-feira, às 21,30 horas, começa a novena, na Matriz, prolongando-se até ao dia 7. Anunciada pelo repique de sinos, a novena é seguida pela actuação de coros e outros grupos. No dia 7 é a tradicional procissão de velas, desde Bonjóia até à Matriz e no dia 8 serão as bandas de Música. Para cativar outras gentes, a Junta de Freguesia oferece, de Sexta a Domingo, na Praça da Corujeira, a Festa do Marisco e do Petisco. Os jovens abrem a Quermesse, os escuteiros oferecem os seus cozinhados e jogos, o Matrizbar e a barraquinha dos doces promovem um ambiente bem familiar. No entanto, ainda que centrada no Adro da Matriz, a festa estende-se pelas casas, ruas, largos e lugares de toda a freguesia. E algumas diversões no recinto em frente do Cemitério animam esta bem antiga festa popular.
Há lugar também para a Reconciliação sacramental, para a Unção dos Enfermos e para a actuação de grupos: Coro da Universidade Portucalense, Kyrios de Gondomar, Grupo de Música Antiga de Paredes, Coro de Santa Maria de Campanhã, para a Banda Musical e Cultural de Paço de Sousa e Banda de Rio Tinto, para o Rancho Danças e Cantares de Campanhã e para o Conjunto Rivers Band. As crianças e idosos da ANC vêm à Matriz na 4ª-feira e as associações da Freguesia participam na Missa do dia 9, Domingo, enquanto, no Adro, se conclui o 6º Passeio de Bicicleta Volta a Campanhã.
Memória viva
Organizadas pela Paróquia, através da Confraria de Nossa Senhora, com o contributo dos Filhos de Campanhã e o apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal do Porto, a festa centra-se no Adro da Igreja Matriz e estende-se pelo recinto em frente do Cemitério que, desde há muito, aguarda a devida integração urbana, como parque de apoio ao Cemitério e à igreja.
Todos os anos, as pessoas acorrem à festa para exprimirem a Fé mas também a sua identidade. De longe ou de perto, aproveitam para conviver com familiares, visitar a Matriz e clamar pelo seu restauro. O órgão de tubos, obra de Luiz António de Carvalho, de 1806, redificado em 1887 por António Joze dos Santos, tem 200 anos.
Todos os dias, às 21,30 horas, canta-se o Hino da Senhora de Campanhã, e, no dia 7, a procissão de velas, desde a Memória da Fonte da Senhora, em Bonjóia, até à Igreja Matriz, evoca o milagre de 1742 e mostra como está enraizada a religiosidade deste povo.
A memória da Senhora de Campanhã vem já de 920 e a génese da paróquia de 982, sabendo-se que, antes do século X, já Nossa Senhora era por aqui venerada. A actual Matriz tem uma parte que é de 1714, vandalizada nas invasões francesas (1809), depois nas guerras do Cerco do Porto e também no início da República. A capela-mor é de 1907.
As obras de restauro da Matriz foram interrompidas em 1910, retomadas em 1920, 1925, 1944 e 1958, mas depois adiadas, além de outras razões, pela ideia de se construir um novo templo em lugar mais central (zona da Corujeira). As energias dos cristãos voltaram-se então para a pastoral sociocaritativa, de que resultou o Patronato e a Associação NunÁlvares. (F.M.)
No ano 2001, recomeçaram as obras, agora paradas por problemas do projecto e das burocracias. Vamos restaurar Matriz de Campanhã continua a ser o objectivo de milhares de pessoas que não querem deixar morrer a mais importante memória do Nascente da Cidade. E algumas famílias inscreveram já o seu nome na lista das 46 que vão restaurar o maior tecto de pintura em madeira da cidade do Porto. Elas esperam e merecem o reconhecimento do Estado e da Cidade!
FM