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    Loureiro vai homenagear um antigo pároco

    P. Manuel Pires Bastos


    No próximo dia 14 de Outubro perfazem-se 50 anos sobre a morte do Padre Manuel da Silva Laranjeira, sacerdote que ao longo de 35 anos foi Pároco de Loureiro, cargo que exerceu com zelo e admiração dos seus paroquianos.
    Nessa data, às 19h30, Missa comemorativa na Igreja Matriz de Loureiro, para a qual se convidam os loureirenses e quantos estão ligados à memória do saudoso extinto.
    O P. Laranjeira nasceu em Válega, em 25 de Outubro de 1871. Depois da ordenação e Missa Nova, em 1903, foi Coadjutor em Pedroso (V. N. de Gaia) e em Válega, e Pároco em Carregosa, donde foi transferido para Loureiro, em Julho de 1920.
    Duas situações graves se lhe apresentaram em Loureiro: a velha igreja (datada de 1673) estava em ruínas, e a residência paroquial, na posse do Estado desde a implantação da República.
    Com coragem e arrojo, até porque os tempos eram difíceis, lançou-se na solução destes problemas. A título particular, adquiriu a residência e o passal, que à sua morte passaram definitivamente para a freguesia, mediante uma compensação simbólica entregue a pessoa de família.
    Quanto à Igreja, dinamizou de tal modo a população local que em poucos anos, mercê da organização de cortejos que ficaram famosos na região, conseguiu erguer um templo amplo e moderno, datado de 1925, que ainda hoje, e após várias intervenções, é orgulho dos loureirenses. Também as Capelas da Graciosa e do Outeiro foram remodeladas durante a sua paroquialidade, com o acrescento de sacristias.
    A sua acção como cidadão foi preciosa em alguns momentos decisivos, tais como a criação da Cooperativa Eléctrica (1934), de que foi um dos primeiros sócios. (o contador da antiga residência paroquial, guardado no Museu da Cooperativa, tem o n.º 1).
    Mas o grande legado do saudoso Pároco, reconhecido por todos os loureirenses que o conheceram de perto, foi a sua entrega generosa à missão de formador de consciências e de cristãos empenhados, dando apoio a movimentos eclesiais em expansão, como a Acção Católica, e incentivando os jovens que manifestavam vocação para o sacerdócio ou para a vida consagrada, consgeuindo que vários se ordenassem sacerdotes ou professassem em Institutos religiosos.
    Ainda em sua vida, foram iniciadas as negociações para a compra do terreno em frente à casa paroquial, espaço que veio a ser transformado, mais tarde, no jardim onde foi implantado o busto de D. Frei Caetano Brandão, em cuja casa viveu o P. Laranjeira durante alguns anos. A morte do Bispo do Pará e Arcebispo de Braga, ocorrida em 15 de Dezembro de 1805, vai ser celebrada na oportunidade devida.
    Lembrar o P. Laranjeira no 50.º aniversário da sua morte traduz a gartidão da comunidade loureirense ao seu antigo Abade, cuja figura veneranda e nobre perdura ainda no coração de quantos o conheceram.