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    NOVAS REFLEXÕES LIVRES

    Que é reviver o Natal?


    Não é a simples comemoração dum acontecimento passado! É um momento em que cada um enquanto membro de Cristo, fará descer ao seu coração os sentimentos do Salvador, da lição do seu nascimento humilde em Belém até à sua morte no Calvário, em Jerusalém.
    O mundo vive a época da globalização que é estonteante pela forma como relativiza os valores centrais da vida humana, é é frenética pela rapidez das mudanças que se operam quer nas descobertas científicas como nos progressos tecnológicos. Tudo hoje está próximo de tudo! A facilidade na circulação das informações e o seu domínio, por um lado, e a voragem do lucro no plano económico, tomaram conta do nosso mundo. É por isso altura de pensarmos que o Natal, a natividade de Jesus Cristo, interpela este mundo, o mundo dos homens. Essa interpelação deve ser sentida por cada um pois é cada pessoa humana que é o agente do bem e do mal que ocorre. As Nações são conduzidas por homens, mas as Nações também são os homens. E este mundo no plano de Deus é para ser habitação da paz.
    O segredo da paz está logo dado pela fragilidade do Deus-criança, o recém-nascido que contemplamos no presépio, envolto em roupas simples mas que ao mesmo tempo é o objecto do Amor de Maria e de José, num ambiente cheio de factos transcendentes que os evangelhos descrevem Lição de Humildade, se se quiser, lição de desprezo das coisas mundanas e importância dada à Pessoa nas pessoas que nesses momentos o circundam e a Ele vem.
    Ora todos sabemos que a origem das guerras e das discórdias, a qualquer nível, estão no orgulho, na ânsia da riqueza, na busca e posse do poder, e na procura insana do domínio sobre os outros. Tudo isto é denunciado pelo espírito do Natal! O Natal é um apelo, mas um apelo principalmente pessoal para cada um de nós, e para cada homem. E antes, e acima de tudo, um tempo de purificação da nossa consciência, e de reparação pelo que e mal tenhamos cometido. E altura de nos convencermos de vez que o segredo de sermos agentes de pacificação está na humildade, uma humildade sincera e centrada na Fé, esta Fé sobrenatural que vinda de Deus pode ser desfrutada por todo o homem que a busque com sinceridade e coração limpo. A Fé, afinal, que explica este fenómeno natalício de Belém, e nos dá o entendimento sobre todas as coisas que sem Ela serão sempre incompreensíveis como a morte. E no entanto não há Fé sem razão! Por isso o genial Pascal escreveu ...nunca se deve buscar a Eus, abordar o problema de Deus, sem ser por Jesus Cristo, verdadeiro e único revelador do Verdadeiro Deus, e que ao mesmo tempo ensino as consequências e as obrigações que daí decorrem...
    Cito, por fim, o excerto duma carta de René Voillaume, quando Superior das Comunidades de Foucaule e a elas dirigida: Não vos iludís: a docilidade à Igreja, a ausência de espírito crítico e de julgamento sobre os outros, a respeito de tudo o que é fraco, de tudo o que é humano, a força de ser doce e purificante, disponível para todo o desejo legítimo do outro, são os únicos actos que fazem a prova que vós soubestes receber o Reino de Jesus como uma criança pequenina. Falta ainda um longo caminho para chegarmos a tal fim. Ora é preciso que este Natal marque uma etapa sólida nesse caminhar.
    Que assim seja hoje também para todos nós, única maneira de revivermos cristãmente o Natal.

    Levi Guerra