Uma notícia divulgada pelos serviços de informação da Câmara Municipal do Porto dá conta de que as novas placas toponímicas em colocação na cidade vão sofrer ajustamentos, com a intenção de terem mais visibilidade. Acrescenta a informação que desde o dia 19 de Março foram colocadas 190 novas placas toponímicas nas freguesias de Santo Ildefonso, Cedofeita e Massarelos, encontrando-se 275 em fase de colocação. Os ajustamentos agora anunciados resultam de algumas sugestões que a Câmara tem recebido no sentido de melhorar a visibilidade e a capacidade de leitura das novas placas. Os ajustamentos incidem nos seguintes pontos: maiores dimensões (aumento de 34 por cento), espaçamento entre as letras (aumento de 20 por cento) e colocação das placas a um nível mais baixo (cerca de três metros de altura).
Pode-se afirmar que estes eram aspectos que deveriam ter sido pensados à partida. Não foram, e por isso há que corrigir o mal a meio do percurso.
Mas há outros aspectos a considerar.
Vários aspectos distinguem uma cidade moderna e com qualidade de uma cidade primitiva e desregrada: a qualidade de construção e arranjo de lojas e habitações, a limpeza, o arranjo e marcação dos pavimentos, o mobiliário urbano, a sinalização apropriada às necessidades dos cidadãos e a identificação das ruas, por forma a que em qualquer local o transeunte possa saber onde se encontra.
Ora a cidade do Porto é carente em todos estes aspectos. Não é suficientemente limpa (os lixos acumulam-se nos fins de semana e quando calha ou os serviços de limpeza andam distraídos), muitas ruas estão mal pavimentadas e sem sinalização horizontal, e a identificação das ruas é insuficiente.
Por estas razões, seria de saudar a colocação de placas toponímicas, cuja utilidade é óbvia.
Mas verifica-se o fenómeno do costume: as placas estão a ser colocadas onde já havia outras e onde elas não existiam continuam sem existir.
Depois, a sinalização deveria seguir um modelo definido, e não uma proliferação de modelos, por vezes com o mesmo nome colocado em placas diferentes, numa salgalhada que só desorienta o passante e sobretudo é sintoma do desconcerto e falta de planificação que reina nos serviços responsáveis. (CF)