ESCUTISMO
Eis que é chegado o início do ano escutista. Todos os anos existem mudanças nas secções, muitas vezes não só ao nível dos jovens que as compõem mas também das respectivas equipas de animação.
Passagem simboliza movimento e desprendimento. Os jovens crescem e a sua forma de olhar para a vida e para o próprio Escutismo evolui. Como tal, os mais velhos de cada secção passam para uma nova etapa. Agora são eles os noviços de uma outra secção do Escutismo. À medida que avançam para a secção seguinte os jovens vão experimentando novos métodos, adaptados às respectivas idades, sempre dentro do projecto educativo do Escutismo.
A passagem de secção não é uma cerimónia que deva ser esquecida pelos agrupamentos. É um momento especial, um rito, uma marca, com uma carga simbólica elevada para os jovens que abandonam a secção onde estiveram cerca de quatro anos, para se dedicarem a outro tipo de tarefas, que têm mais a ver com a respectiva idade.
Assim sendo, é dever do agrupamento preparar um momento próprio, para que esta data não passe despercebida e lhe seja dado o devido valor.
A "Ponte" é o símbolo escolhido para fazer a passagem entre duas secções. A distância entre as margens representa a dificuldade entre as secções, que vai aumentando, à medida que as idades também aumentam.
A passagem dos Lobitos para os Exploradores é feita através de uma pequena ponte, ou melhor, uma trave. Os mais pequeninos deixam a Alcateia e, sem (des)equilíbrios tentam chegar aos Exploradores, onde são recebidos pelos respectivos Guias de Patrulha.
A responsabilidade, tal como a dificuldade, aumenta a partir do momento em que os Exploradores mais velhos passam para os Pioneiros. A ponte que simboliza esta passagem é mais alta e mais complexa, requerendo mais empenho dos que a construíram e mais determinação para os que a tentam atravessar.
Quando os Pioneiros atingem a idade de Caminheiros também passam por uma ponte, mas só quem tem a certeza daquilo que quer é que a passa com a devida firmeza.
Normalmente utiliza-se a chamada Ponte Himalaia construída por apenas três cordas, sendo que os pés ficam apoiados em apenas uma e que as duas restantes servem de apoio para as mãos.
A dificuldade aumenta, então, à medida que a idade e a responsabilidade também aumentam. Não é demais sublinhar a importância destes momentos, que nem sempre são vividos pelos Agrupamentos de forma intensa e significativa.
A mudança é, sempre foi e será importante, tanto para os jovens como para os adultos que os guiam e acompanham, que todos os anos renovam as suas caçadas, aventuras, empreendimentos e caminhadas, com o intuito de oferecer novas experiências de vida, novas oportunidades de crescimento, a consolidação dos valores e a (re)descoberta do Homem Novo anunciado por Jesus Cristo.
Os jovens deixam com saudade as suas primeiras "famílias" e durante a passagem levam no rosto a expectativa de um novo ano. Do outro lado da margem novos companheiros de aventuras os esperam, para que juntos passem momentos inesquecíveis.
Maria João Leite