Senhor, o Teu Natal!
O Teu pobre Natal,
Tão pobre, Senhor ... !
Tanto tempo esperou o Mundo,
Senhor, pelo Teu Natal... e vê
O que resta do presépio de Belém:
Vê-o pelas montras, reluzindo
De vidrilhos e contas e berloques
Multicores ...
Vê-o em braços, em corpos, em pés:
Em pulseiras, vestidos, sapatos ...
Olha- o, Senhor, a brilhar, o Teu Natal
Nos olhos rutilantes da boneca,
Nas rodas do carrinho de corda
Do travesso petiz!
Olha- o, Senhor, fumegante, o Teu Natal,
No peru, nos bolos, nos pratos delicados
Da mesa melhorada do burguês
A quem tudo deste tudo, tudo ...
Estás lá, Senhor, nesses Teus dons,
Mas esquecido!
Que é feito, Senhor, do Teu Natal;
Do Teu Presépio, pobre mas fecundo,
Projectando- se no vazio do Tempo,
Enchendo de riquezas o vácuo das almas
Incontáveis riquezas, como incontáveis eram
As palhas onde nasceste?
Quem dera, Senhor, abundassem
Repiques de sinos, festivos, alegres,
Nas almas dos homens!
Quem dera corações "presépios",
Corações de "'pobres", em que Tu, Senhor,
Silente nascesses, depois do Teu Natal!