Espanha tem novo Governo
Na passada sexta-feira, José Luís Zapatero tomou posse, perante o Rei Juan Carlos, como Presidente do Governo de Espanha. O gabinete tem 16 ministros, entre os quais oito mulheres. Outra novidade é a vice-presidência ser ocupada por uma mulher, Maria Teresa de la Vega, que tem a pasta da Presidência e será a coordenadora do novo governo. José Luís Zapatero, escolheu Maria Segundo para a pasta da Educação e Ciência; Cristina Narbona para o Meio Ambiente; Carmen Calvo, para a Cultura; Elena Espinosa, para a Agricultura e Pesca; Maria António Trujillo, para a Habitação; Madalena Álvarez, para as Infra-estruturas. O lugar de segundo vice-presidente e ministro da Economia foi confiado por José Luís Zapatero a Pedro Solbes, ex-comissário europeu. Miguel Angel Moratinos é o ministro dos Negócios Estrangeiros. José Bono fica com o Ministério da Defesa.
No discurso de tomada de posse José Luís Zapatero sintetizou o seu programa de Governo, com relevo para a reforma dos estatutos de autonomia e da Constituição e a retirada das tropas espanholas do Iraque a 30 de Junho se a ONU não controlar a situação em termos políticos e militares.
O novo Presidente do Governo terá que gerir com habilidade os apoios dos nacionalistas que contribuíram fortemente para a sua vitória nas eleições. Não será fácil esta gestão de sensibilidades. Por outro lado, algumas declarações de Zapatero, como a permissão do casamento entre homossessuais, configuram um difícil relacionmento com a Igreja Católica e com os sectores mais conservadores da sociedade espanhola. Outro aspecto com que terá que lidar é provar que a ETA nada teve a ver com os atentados de 11 de Março.
É nestes cenários que José Luís Rodriguez Zapatero começa uma legislatura de quatro anos. Os sectores políticos moderados da Direita acham que o Governo de Zapatero é muito "frágil". Embora tenha anunciado a intenção de privilegiar o diálogo, Zapatero vai enfrentar grandes dificuldades nomeadamente na revisão parcial da Constituição para a qual precisa do apoio dos conservadores. No plano externo, a anunciada retirada das tropas do Iraque está a provocar alguma perplexidade.
Novas denúncias da Igreja em Moçambique sobre tráfico de órgãos humanos
O Bispo de Nacala, Moçambique, D. Germano Grachane, os sacerdotes, missionários e missionárias de todas as paróquias e comunidades da diocese, através de comunicado, há dias divulgado, colocam-se ao lado das vítimas do tráfico de órgãos humanos que existem em várias regiões do país. Pode ler-se: "Angustia-nos que continuem a desaparecer crianças e que os seus algozes se mantenham em liberdade e de cabeça erguida, como se de pessoas de bem se tratassem. É por esta razão que exigimos que as autoridades competentes trabalhem com seriedade e sem ambiguidades no sentido de fazer avançar as investigações de um modo imparcial, efectivo e eficaz, em ordem a fazer parar estes crimes e a punir os seus responsáveis". Depois de manifestar apoio às religiosas de Nampula, D. Germano Grachane mostra-se preocupado com as alegadas tentativas de silenciar e desacreditar as denúncias. E refere:
"Preocupam-nos as tentativas de silenciar, relativizar ou desacreditar as denúncias e inquieta-nos também a surpreendente morosidade em fazer parar estes crimes e em identificar e punir os seus autores".
Violência e insegurança no Haiti
A violência e a insegurança continuam a afectar o Haiti. Mesmo depois de o novo governo de transição ter assumido o poder, numerosos grupos armados de rebeldes e milícias leais ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, continuam activos. A Amnistia Internacional tem manifestado a sua grande preocupação com a segurança da população civil, depois da recente visita ao país. Em comunicado, recentemente divulgado, Amnistia Internacional é "preocupante a situação de segurança de juizes, procuradores, investigadores, vítimas, testemunhas e defensores dos direitos humanos, que participam de processos sobre abusos anteriores contra os direitos humanos". Segundo esta organização torna-se absolutamente indispensável que se monte uma operação de desarmamento em todo o país e para todos os grupos armados. E lamenta: "É motivo de consternação que a Força Multinacional Provisória (FMP) não tenha tentado, seriamente, colaborar com a Polícia Nacional do Haiti para estabelecer um programa de desarmamento desse tipo".
Bispos da União Europeia em peregrinação a Santiago
Tendo como pano de fundo o recente alargamento, os Bispos da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (COMECE) organizam uma série de eventos, de 17 a 24 de Abril, para assinalar a importância da construção de uma Europa unida, entre eles uma peregrinação a Santiago de Compostela. Mais de 300 peregrinos, entre políticos, jornalistas escritores e artistas da UE, a que se juntam os delegados nomeados pela COMECE, irão ser desafiados a comprometer-se pessoalmente na construção da UE, que entra numa importante fase da sua história. Cada dia incluirá uma caminhada, uma celebração ecuménica, uma Missa e uma leitura proclamada por um líder da vida pública europeia.
Após a chegada a Santiago de Compostela, a COMECE promove um congresso intitulado "União Europeia: esperança e responsabilidade". Os organizadores do evento anunciaram a transmissão de uma video-mensagem de Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia.
Os Bispos europeus manifestaram a sua convicção de que é tempo de "aprofundar a dimensão espiritual da Europa", pelo que esta peregrinação pretende ser um "sinal". A COMECE convidou também representantes de outras confissões cristãs, para que a reunificação política da Europa se traduza, também, numa "comunhão cada vez mais estreita entre as forças espirituais e religiosas do continente".
Vaticano condena violência no Iraque
Altos responsáveis do Vaticano condenaram duramente a escalada de violência no Iraque, durante as últimas semanas. D. Giovanni Lajolo afirmou ao diário "Il Giornale" que "é justo combater o terrorismo" e que a situação no Iraque mudou muito desde que o Papa se manifestou contra a intervenção militar dos Aliados. Para este Secretário do Vaticano para as relações com os Estados, "é inadiável lutar contra os pressupostos culturais que são o húmus do terrorismo islâmico e esta luta não será curta". Também o Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, lamentou que o papel da ONU não esteja a ser devidamente reconhecido a nível mundial. Para a Santa Sé, a presença das forças armadas no Iraque devia passar unicamente "pelo mandato da ONU" e esta presença deveria ser uma força de paz, integrada, maioritariamente, "por países muçulmanos membros das Nações Unidas".
João Paulo II propõe um único dia de Páscoa para os cristãos
João Paulo II fez no Domingo da Ressurreição a proposta de se encontrar um acordo para que todos os cristãos do Oriente e Ocidente possam viver no mesmo dia da Páscoa.
Aproveitando o facto de neste ano, "por uma feliz coincidência", a ressurreição de Jesus ter sido celebrada no mesmo dia pelos calendários gregoriano (ocidental) e o juliano (oriental), o Santo Padre abordou de novo esta sugestão que já havia apresentado há anos. Depois de ter dado a benção "Urbi et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo), e de ter pronunciado sua Mensagem de Páscoa e sua felicitação pascal em 62 idiomas, o Papa dirigiu uma saudação em particular aos patriarcas, bispos e fiéis das Igrejas orientais, em boa parte ortodoxos, afirmando: "Rezo ao Senhor ressuscitado para que todos nós, baptizados, possamos logo chegar a reviver cada ano juntos no mesmo dia esta fundamental festa de nossa fé".
Páscoa, festa central no calendário cristão, é uma festa móvel, porque se celebra no primeiro domingo depois da lua cheia do equinócio de primavera, ou seja, entre 22 de março e 25 de abril. Por causa dos desajustes que caracterizam o calendário juliano (estabelecido por Julio César no ano 46 a.C.), o Papa Gregório XIII (1582) estabeleceu uma reforma do calendário, que não foi seguida pelas Igrejas orientais, e que tinha em conta novos critérios no cálculo do dia de Páscoa.
Em apêndice, a Constituição Dogmática "Sacrosanctum Concilium" (sobre a Sagrada Liturgia) do Concílio Vaticano II (1963-65) já mostrava a disponibilidade para poder encontrar um acordo com as Igrejas separadas de Roma sobre uma data comum para a celebração da Páscoa. As dificuldades concretas criadas pelos calendários fizeram que este acordo ainda não se alcançasse.