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Em defesa das pessoas

«O Conselho Permanente da Conferência Episcopal, reunido pela primeira vez depois da sua recente eleição, analisou a actualidade da vida da Igreja e do País em ordem ao exercício da sua acção pastoral.

Neste contexto considerou o ambiente criado na opinião pública em geral e na consciência dos católicos em particular, a propósito do recente programa transmitido pelo canal 1 da R.T.P., que aproveitou a cena evangélica da última Ceia de Jesus Cristo, em que foi instituída a Eucaristia, para encenar uma peça humorística, de duvidoso nível artístico, e chocante para quem acredita nesse mistério.

Compreendemos e acompanhamos as reacções de muitos cristãos, de homens e mulheres de cultura, manifestando o seu desgosto indignado pelo tratamento tão vulgar e desrespeitoso dado ao principal mistério da fé católica. Esperamos que este triste episódio leve os fiéis a aprofundar o seu respeito pela Eucaristia, a ser capazes de enunciar as razões mais profundas da sua fé e a lutarem pelo direito democrático de a exprimirem, sem no entanto caírem em atitudes e comportamentos que contradigam o Evangelho.

Este episódio gerou na sociedade portuguesa, sobretudo através dos meios de comunicação social, um acentuado debate em que por vezes se pretende fazer crer que a Hierarquia Católica quis forçar a uma censura prévia. Declaramos que, em nenhum momento, os bispos portugueses quiseram, a propósito de qualquer assunto, recorrer ao mecanismo da censura, tendo a Igreja também sido sua vítima, no passado. Mas a ausência de censura não consagra o direito de cada um publicar o que entender. Todos os meios de comunicação devem estar ao serviço do bem comum e é o respeito pelas pessoas, instituições e valores que devem levar, quem de direito, a seleccionar responsavelmente o que é bom e justo publicar-se em cada momento.

A defesa da fé católica, da delicadeza da consciência dos cristãos e da dignidade da pessoa humana é um dever nosso, enquanto Pastores, e é um direito reconhecido pela sociedade democrática em que estamos inseridos e que temos vindo a ajudar a construir. E desse dever e desse direito, não abdicaremos.

A amplitude de aspectos aflorados nesta polémica continuarão a merecer de nós uma reflexão aprofundada».

Conselho Permanente da Conferência Episcopal

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«Mãe - dos - tempos - que - correm»

No próximo domingo é o Dia da Mãe e bem oportuno é lembrá-lo. Mais que as escolas e tantas instituições, elas marcam a História. E o melhor monumento que pode ser-lhes erigido é o reconhecimento por parte dos filhos. O texto de Maria Teresa, da Ecclesia de 1995, lembra o que é ser mãe nos tempos de hoje.

Apetece começar pelos tempos que correm. Pelo tempo que corre tão depressa.

Qual é a mãe que, tendo saído quase de madrugada, deixando os meninos na ama ou na creche e, depois de um dia inteiro de trabalho em que pelo meio faz as compras e chega a casa tão estafada para recomeçar tudo - roupa, jantar e almoço do dia seguinte, banho das crianças, comer à pressa, esperar que adormeçam - qual é a mãe que, mesmo a cair de sono, não se interroga ou não questiona o marido, sobre qual é afinal o seu papel?

Ou então talvez esta pergunta surja no transporte público, único lugar em que lhe é permitido «não-fazer-nada», poder pensar em si, reflectir. Comboio, autocarro, eléctrico, barco transformado de súbito no seu refúgio, espaço de retiro, cantinho de oração (se o número de pessoas por metro quadrado o permitir).

Talvez Deus possa falar aí. É quando, eventualmente, se insinua a ideia «utópica» de que vale a pena; que ser Mãe hoje é um acto de fé e de esperança. Porque de amor nunca se duvida.

Ser Mãe hoje é ir no mundo no sentido inverso dos noticiários, a quase garantia de não se ser notícia. Terá de ser assim?

De repente, num solavanco que a todos irmana, pode acontecer-lhe encontrar uma estranha semelhança com uma certa mulher que, contra toda a lógica, aceitou apostar na esperança. Uma história «ultrapassada» que foi vivida e escrita. Por ironia, ou talvez não, alguém lhe chamou boa notícia...

É essa aposta no escuro, numa esperança contra toda a desesperança, o acreditar e o semear, neste mundo de um mundo-outro, que faz a diferença que faz a mãe. É urgente fazer da Mãe uma notícia.

Da Mãe, podemos dizer que ama o filho como ele é.

Numa sociedade que nos impõe modelos a seguir, critérios contrários aos nossos, a Mãe aprende que um filho não é projecto seu. É alguém que se vai construindo na liberdade e na responsabilidade de viver a vida sem as amarras que tantas vezes o seu proteccionismo gostaria, por segurança, de lhe impor.

Noutros momentos acontece-lhe ver sofrer o filho. E não pode se não assistir por dentro. Gostava de poder sofrer em vez dele. E não. Só com ele.

A Mãe vai aprendendo o amor, dia a dia, ano a ano, desinteressado e livre como o de Deus. E ela sabe que esta é uma aprendizagem da vida inteira. É urgente fazer de tudo isto uma notícia. É urgente fazer da Mãe uma notícia boa.

Neste constante aprender, a «Mãe-dos-tempos-que-correm» sabe também que está diante de situações sempre novas. Ela não é a única veiculadora dos valores e das opções. Mães e pais dos filhos de hoje são também, e cada vez mais, os «media» («eles estão sempre a ver televisão»), a Escola, os amigos. E como sermos «a Mãe» com tanta concorrência? Responda quem souber.

Para mim, não é uma questão de bem gerir uma empresa, de bem promover um produto ou de conquistar uma fatia de mercado. É uma outra dimensão. É viver com os nossos filhos noutro comprimento de onda. É - Deus me perdoe a comparação - ser assim como Tu.

E, quando o tivermos conseguido mesmo que ninguém o escreva nos jornais, as mães já são notícia.

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OPINIÃO COM NOME PRÓPRIO

Humor é coisa séria

Herman José, artista de valor reconhecido, tem demonstrado não ter conselheiros à sua altura, sobretudo em momentos delicados e sensíveis. E só beneficiaria se os tivesse, atingindo nível equilibrado nos programas e aumentando a quantidade e a qualidade dos admiradores.

Assim, de vez em quando... mais uma escorregadela. Desta vez, ao tocar num passo importante da vida de Cristo, provocou desusada celeuma, que eventualmente irá deixar marcas, quer no artista, quer no programa, quer na RTP.

Sendo o humor uma linguagem universal, é, como tal, uma coisa muito séria: tanto educa e enobrece como destrói e envilece. Será tanto mais eficaz quanto melhor conhecer e respeitar as leis da sociologia e da convivência social, pois é a partir delas que os diversos comportamentos são dissecados, provocando o surgir do humor.

Desrespeitando as leis sociológicas ou da convivência, deteriora-se o humor: o bobo é fustigado pelo próprio Senhor a quem pretende servir e agradar. Diz-se então que se vira o feitiço contra o feiticeiro.

A Igreja, povo de Deus, não teme nem foge do humor, ao contrário do que alguns são levados a pensar. Os cristãos vivem mesmo em ambiente de alegria e de geral bom humor. O que acontece é que cada um, cada família e cada sociedade têm assuntos, memórias de pessoas, princípios ou crenças, em que não permitem que outros toquem sem a reverência devida. Está em qualquer manual de sociologia e de convivência humanas!

Terão os conselheiros do artista tido estas leis na devida conta? Terão os responsáveis da nossa televisão percebido que há delicadezas e pudores do seu público (pagador ainda por cima!) que não podem ser feridos de forma tão rude e gratuita? Queiramos ou não, com o humor não se brinca: o humor é uma coisa muito séria!

JOÃO CANIÇO
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