TRIBUNA DO LEITOR

Internetização

A Comunicação Social deu-lhe, na altura, o relevo inerente e porventura merecido: uma partida de xadrez entre um supertalentoso "homem" e um mega-informado "computador". No derradeiro jogo, "a máquina" venceu ante "a fúria" do homem. Vieram-me então à memória, pelo "fenómeno - diria óbvio - da simpatia", as palavras escritas há 46 anos por um escritor italiano, mais tarde naturalizado argentino, de pseudónimo Pitigrilli, que, quam musam, abundantemente cito nos meus escritos. escreveu ele: "O cérebro mecânico dispensará o homem de pensar. Ele recuará ao estádio em que o gentil-homem francês, pela sua qualidade de gentil-homem, era exonerado do ónus de saber ler, escrever e firmar; como o rico chinês deixava crescer as unhas, para ostentar a sua abstenção do trabalho degradante. Por que se há-de dar aos pósteres - perguntava - a informação humilhante de que, em 1951, o homem comum ainda usa o cérebro, e o poeta a sua inspiração?".

Fulton Sheen - que amiúde igualmente me inspira - escreveu por sua vez em 1960: "Muita da educação moderna é apenas uma racionalização do mal. Produz demónios inteligentes, em vez de demónios estúpidos".

Cibernética.

Para já, o computador venceu o homem. Pouco faltará para que o homem seja dominado pelo robot. E então, dominado pela máquina, que será e que virá a ser "o homem" que Deus fez?

Neste tempo "de tecnologias avançadas", já nada me espanta e faz temer ou tremer; nem a (já) célebre "clonagem", prestes "a substituir" a mulher que já não quer gerar e que, se ocasionalmente gera, aborta.

Também não me espanta que, nas escolas, "as máquinas", sejam quais forem, tomem o lugar da tabuada, do quadro preto, dos "deveres de casa": em vez de, uma vez por todas e uma primeira vez se "ensinar a aprender" (analisar, assimilar, deduzir, exprimir, desenvolver, etc.), aí vamos ter não "homens-computadores" como Gasparov e quejandos, mas "demónios estúpidos" em que a "massa cinzenta" não passará de "massa de pasteleiro" e "as musas" serão havidas como psicopáticas.

"O homem", essa inigualável e irrepetível maravilha das maravilhas, tornado desprezível "pela máquina"?

Máquinas! - "Ai de nós! Quem nos salvará destes deuses poderosos?" (I Sam 4, 8)

Há perto de dois mil anos...

"Já escreveste algum livro? - "Não", disse o mágico tristemente. Gostaria de saber escrever, pois assim ganharia dinheiro suficiente para me livrar desta fastidiosa cruz e espalhar a minha mensagem impressa, pelo mundo inteiro. Mas não sou escritor. Compus uma espécie de oração, muito simples, onde estão contidas, espero, todas as coisas essenciais. Deus inspirou-me para falar, não para escrever" (Pitigrilli).

Uma oração simples... Pai Nosso... composta por "um homem inspirado"... ajoujado embora ao peso (fastidioso) da cruz "do analfabetismo...

Bernamos, no seu livro "Alegria", escreveu: "Estou sempre a falar com Deus... Sei-lhe falar muito bem, parece-me. Falo-lhe muito melhor do que lhe rezo".

Discursos e livros. Palavras e mais palavras. Registo e cobrança de "direitos de autor". E no entanto... "Compus uma oração muito simples"; e muito breve, acrescentaria eu para realçar a sua facilidade de ser decorada e repetida: Pai Nosso...

MANUEL SARAIVA VILAÇA, Porto

 

Aula de Educação Moral

Nas escolas é tempo de matrículas, podendo os alunos optar por ter Educação Moral e Religiosa Católica ou «matar a hora» pelas esquinas ou cafés. Infelizmente, apesar de tantas decisões tomadas, está longe de ser comum a existência de professor de Desenvolvimento Pessoal e Social.

Curiosamente, o país vai gastando enormes somas para resolução de problemas como a droga, a violência e a marginalidade. Não serão menores os estragos da malvadez, vícios, velocidades e outras destruições do meio ambiente, também através da poluição que tantas vezes são apontadas como consequência natural destes tempos. A moda do consumo parece irreversível, ainda que leve consigo a infelicidade de tantas famílias: umas porque gastam de mais e outras porque não conseguem aceder aos padrões mínimos da onda de consumo.

E faltam habitações condignas, árvores e jardins, hábitos de trabalho e de estudo, sabedoria de viver feliz com poucas coisas.

Alguns, vão dizendo que falta «educação cívica», outros «um sentido para a vida». Ao que parece, entretanto, todos vão deixando correr, degradando-se o ambiente das escolas, e da sociedade, e tornando-se cada vez mais «vazias» palavras como solidariedade, esforço, dedicação, sacrifício ou mesmo martírio.

Tom diferente tem a Educação Moral e Religiosa que o Estado através da Igreja Católica «oferece» aos alunos. E pena é que este apoio não tenha características ecuménicas, pois, no essencial, estarão de acordo as principais Igrejas existentes em Portugal.

Aos pais e aos próprios alunos tem sido explicado que há todo o interesse na matrícula em Educação Moral. Situada na área da Formação Pessoal e Social, essa aula responde, de forma escolar, às questões morais e religiosas que os alunos se levantam no estudo das diversas matérias, para além de um grande enriquecimento cultural e de aprendizagem do que é a vida grupo. Os alunos que se privam desta oportunidade ficam com uma grave lacuna na sua formação, bem notória quando se vê tantos adultos, e mesmo pessoas de responsabilidade, falarem das coisas da religião, cristianismo e Igreja católica, cheios de «razões», pois até são «católicos», mas revelando uma ignorância de arrepiar.

Algumas vezes, ouve-se dizer que «ninguém» vai às aulas de Moral, mas de facto são mais de 50 por cento os alunos das escolas públicas que, no ano passado, se inscreveram numa aula que é bem diferente da Catequese ou do trabalho dos grupos de jovens. Após a escolaridade obrigatória, entretanto, apenas 14 por cento dos alunos escolhem a aula de Educação Moral e Religiosa.

Grande exigência se põe ao professor, aos níveis de competência e de testemunho. E também aos alunos e à Escola obrigando-os a cumprirem os programas, em vez de andarem ao sabor das ondas da mediocridade. E, felizmente, que uma grande parte dos professores de Educação Moral e Religiosa estão entre os melhores, não só na dedicação aos alunos, mas também na assiduidade e na capacidade educativa. Há excepções que precisam de ser corrigidas e, nalguns casos, banidas, para bem da educação moral nas escolas.

F. G.

 

Missas Novas em hora de «graças a Deus»

 

As Missas Novas têm constituído, desde há tempos, uma afirmação clara do apreço que o povo tem pela vocação sacerdotal. Alguns meios de Comunicação não perdem nenhuma oportunidade de denegrir a acção dos padres, mas o povo conhece-lhes a dedicação ao longo de anos e anos. E assim, quando há na terra um novo padre, jovens e adultos, crianças e adolescentes preparam uma grande festa, às vezes pela madrugada dentro.

Assim aconteceu, há dias, em Ferreira, Paços de Ferreira, em Airães, Felgueiras, e em Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses. Os novos padres - Fernando Coutinho, Artur Dias e Paulo Teixeira - sentiram bem a alegria dos seus párocos e do povo que os viu crescer. Longos tapetes de flores, celebrações muito festivas e uma refeição de convívio que rapidamente se transforma em festa. Os padres acorrem em grande número, desde os vizinhos aos amigos e educadores. Em realce, põem a liberdade da opção, o apoio da família, da paróquia e do Seminário, a amizade dos colegas e a alegria com que abraçam o ministério presbiteral. Além dos trabalhos que uma festa destas dá, costuma haver uma cuidada preparação espiritual, a que o povo acorre dedicadamente.

Os novos padres acompanham todas as coisas com visível alegria e, desta vez, salientaram nas homilias os modelos de vida destes tempos acrescentando que Jesus Cristo veio trazer uma proposta bem diferente, mas geradora de maior felicidade. É o próprio Filho de Deus que diz: Vinde. Ele ensina muitas coisas e, por amor, envia «pastores que cuidem do rebanho», depois de ter dado o exemplo de dedicação aos mais abandonados e de ter prometido que aos enviados não faltaria com a sua graça.

Curiosamente, estas três terras são «alfobre de Vocações», havendo em Ferreira dois padres e três seminarisrtas, em Airães três padres quatro seminaristas e cinco outros a caminho, e em Vila Boa do Bispo seis padres, dois seminaristas e três religiosas. Não admira, por isso, que os párocos, os padres Samuel, Azemiro e Manuel Vales, tenham manifestado viva esperança de que não demorará muito a que a comunidade a que presidem se envolva em nova festa de acção de graças a Deus pelo sinal de um novo padre.

 

Crisma em Nogueira (Maia)...

D. José Augusto, então bispo auxiliar, crismou no dia 15 de Junho, 15 fiéis da paróquia de Santa Maria de Nogueira, na Maia, a que preside o P. Aurélio Marques, e um outro da paróquia de Alvarelhos, Santo Tirso. Bem claro quis deixar D. José que «Jesus Cristo proclamou a instauração do Reino de Deus já anunciado pelos profetas» mas que era muito diferente dos reinos terrenos, pois era de natureza «espiritual e de graça» e não apenas para o povo judeu, mas para todos os povos. A missão dos fiéis adultos na fé será a de «trabalhar pela implantação deste Reino no mundo, ... um reino de amor, de justiça e paz». E a melhor maneira de fazê-lo será «através de um testemunho coerente da Fé». E nos tempos de tribulação «é preciso manter uma atitude de esperança e confiança em Deus».

 

… e em Nossa Senhora da Ajuda

A paróquia de Nossa Senhora da Ajuda, Porto, normalmente conhecida por Pasteleira e que tem por pároco o P. José Lopes Baptista, viu, no dia 25 de Junho, serem crismados 39 fiéis e baptizado um adulto. D. José Augusto, na qualidade de administrador diocesano, presidiu à celebração que ocorreu depois de uma caminhada de dez anos de formação cristã e de uma preparação intensiva. O adulto que foi baptizado teve vários anos de caminhada para uma esclarecida vivência cristã, tendo recebido ainda os sacramentos da Confirmação e da Eucaristia.

Na solenidade da Santíssima Trindade, D. José lembrou o mistério de Deus criador, companheiro e redentor, e alento que faz de cada um apóstolos e membro da Igreja. E a todos lembrou a responsabilidade de serem hoje «sinal de Deus», capazes de fazer novos discípulos e de ensinar e baptizar, tendo acrescentado que «só uma Fé adulta poderá resistir ao impacto da cultura moderna».

Criada há 30 anos, esta comunidade tem as características de Igreja de bairro e de comunidade urbana. O templo «provisório», que durou dezenas de anos, vai agora entrar em fase de ampliação, quando se assinalam 25 anos de ministério do Pároco.

 

Sandim (V. N. de Gaia)

Bodas de prata

O povo de Sandim, Vila Nova de gaia, acorreu em grande número à Eucaristia a que o P. José Lopes Baptista presidiu na tarde do dia 13, Domingo, assinalando 25 anos da Ordenação como Presbítero.

As pessoas fizeram um tapete de fores, acorreram meia dúzia de padres e a comemoração concluiu-se na Casa da Laje, da família do P. Baptista que conta com nove irmãos e dezenas de sobrinhos.

 

Jovens de Ramalde em Fátima

Vinte e três ciclistas da paróquia de Ramalde, Porto, deslocaram-se de bicicleta a Fátima, o que já acontece pela sexta vez. Os jovens partiram na 6ª-feira, pelas 6,30 horas e chegaram a Fátima no dia seguinte, tendo participado na Eucaristia das 11 horas. Mais de cinquenta pessoas de Ramalde, entre as quais o Pároco, P. António Almiro, quiseram acompanhar estes jovens, dando-lhes apoio no que necessitassem. Inseriram-se na Procissão de Velas aos Valinhos e, no Domingo, acorreu um maior número de fiéis da comunidade de Ramalde que ali acorreram em peregrinação paroquial, tendo participado nas celebrações do Santuário.