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Com esta forma de proceder verifica-se a velha história do mentiroso e do lobo: como nos avisam de perigo quando ele não existe, já não acreditamos quando ele existe.
Já agora um conselho aos sinalizadores: passem e fronteira, e verifiquem e aprendam (na generalidade dos casos, sublinho, porque também há por lá disparates) como se deve proceder na sinalização das estradas. Vão lá, fica barato e todos poderemos aproveitar!
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Todos têm espaço, mais pequeno ou maior. E todos têm o seu âmbito e a sua clientela. E esta, por sua vez, também flutua entre eles consoante as necessidades e as posses, conforme a quantidade, os preços das promoções e os dias do mês.
Era uma guerra infantil que, repito, presumo tenha terminado.
Esqueceram-se os «lojeiros» - ou esqueceu-se «o pequeno comércio» - que, antes dos super e dos hipermercados, há havia «cadeias de lojas»: cada qual com a sua tabuleta, é verdade; cada qual com os seus cartões e empregados, mas, no qual, não passando de meras agências ou sucursais de «um grande» e antigo fornecedor que «vendia a crédito» e deixava atingir valores que os «pequenos» raramente podiam pagar sem a alternativa de irem a tribunal ou transferirem «o negócio» para o credor.
Ao contrário das grandes superfícies, por que razões de ordem variada têm de guardar certas distâncias entre si e não podem ser implantadas ao capricho dos seus proprietários, aquelas outras estavam disseminadas estrategicamente pela cidade - onde bastantes ainda persistem e subsistem.
Guerra inútil, como tantas que, por simpatia ou espontaneamente, se desencadeiam por tudo e por nada.
Repito o que é uma verdade incontroversa: o pequeno comércio não apenas tem «o seu lugar» como, além disso, «é preciso» e até precioso.
Sobre este assunto, ocorreu-me uma «anedota» que Pitigrilli conta no seu Dicionário anti-laroteiro (Edit. Vechi, Rio de Janeiro, 1961): «Meu tio possuía um cão ao qual - é supérfluo dizer - só faltava falar. O dono dava-lhe diariamente uma moeda de dez centavos, para comprar um biscoito. Encontrando-se um dia com o meu tio, o proprietário da confeitaria disse-lhe: Doutor (meu tio era advogado) não é por desconfiança, é mera formalidade de escrituração: o senhor me deve três libras. Há um mês que o seu cachorro compra a crédito».
«Não é possível!» - protestou meu tio. Eu lhe dou todos os dias dez vinténs». E para esclarecer o mistério, o meu tio organizou um serviço de vigilância e sabem o que ele descobriu? Que o cão ia comprar um biscoito com os dez vinténs a uma confeitaria desconhecida e na casa onde o conheciam comprava outro, sem pagar».
Bem sei que isto é «pequeno comércio» mas rende, mesmo, como na anedota, metendo «cães» pelo meio...
| Pacheco Gonçalves |
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Desde a minha saída até aos dias de hoje, tenho seguido com muito interesse e atenção a evolução da situação daquela prestigiada instituição. Considero-me um observador atento e conhecedor da realidade da Obra Diocesana, não só por lá ter trabalhado durante vários anos, mas também porque sempre mantive relação de amizade e frequentes contactos com alguns dos seus responsáveis e muito do seu pessoal. É por essa razão que me permito tecer alguns comentários a propósito de muitas notícias que ultimamente têm passado pela comunicação social.
Muito se tem falado nas alegadas irregularidades, sem que ninguém tenha vindo prová-las ou até justificá-las, sim justificá-las, porque muitas delas, a existirem, terão com certeza justificação. Terá havido no passado um menor cuidado na documentação de suporte das despesas suportadas pela Obra Diocesana, o que seguramente já não acontecerá no presente.
O Sindicato da Função Pública tem conseguido manter acesa a polémica na comunicação social. No entanto, tenho muitas dúvidas que tenha conseguido defender realmente os interesses dos trabalhadores, principalmente daqueles que auferem salários mais baixos e que infelizmente são a maioria. Vejamos:
1 - É verdade que muitos trabalhadores da O.D. auferem salários baixos, o que se deve principalmente à tabela oficial que não prevê maiores remunerações, sendo a O.D. subsidiada em função dessa famigerada tabela.
2 - Será difícil à O.D. praticar salários mais elevados devido não só ao facto de as mensalidades pagas pelos utentes serem baixas, como também as comparticipações da Segurança Social se basearam fundamentalmente na tabela oficial, a conhecida PRT.
3 - Não será de esquecer, no entanto, algumas regalias que a O.D. tem vindo a conceder aos seus trabalhadores, regalias essas não previstas na portaria regulamentadora, das quais destaco:
- carga horária inferior à prevista na regulamentação específica, para quase todas as categorias profissionais.
- concessão de cinco dias de tolerância de ponto pelo Natal e pela Páscoa.
4 - Tem sido pedida com alguma insistência a substituição da actual Direcção da O.D. Qualquer outra Direcção que seja nomeada, não vai conseguir o milagre da multiplicação dos rendimentos da O.D. para poder aumentar salários. Vai tentar equilibrar a situação financeira da O.D. através da contenção salarial, que é a única forma possível de equilibrar uma instituição em que o peso dos custos com o pessoal no orçamento é enorme.
Uma nova Direcção que venha a ser nomeada, nada mais poderá fazer em termos financeiros, para além do que está a ser feito. Poderá eventualmente actuar noutros níveis, como por exemplo acabar com regalias não obrigatórias, tais como tolerâncias de ponto pelo Natal e Páscoa, que a actual Direcção concedeu e a que se vê moralmente obrigada.
Em termos de conclusão, quero deixar a minha convicção de que a actual tensão não deve continuar. Está em causa o bem-estar do pessoal da O.D., que tão dignamente presta a sua colaboração diária em prol de uma nobre missão social que prestigia a instituição que representam e a cidade onde moram. Ninguém ganha com o actual estado de tensão instalado entre trabalhadores e entidade patronal.
Por favor, párem e entendam-se!
| Amadeu F. Silva e Sousa, Gondomar |
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"Não vou à missa, mas sou tão ou mais católico que os que lá vão. (...) Os que lá vão, só vão mostrar-se e bater com a mão no peito".
Pois claro: a presunção e água benta, quando a há, cada um toma a que quer. Já o fariseu fazia e dizia o mesmo. Católico praticante é mais do que ir à missa; indo, pode não sê-lo; não indo, é que certamente não é. A missa dominical, a grande celebração semanal do cristão, é um sinal muito claro do grau de ligação à fé e à Igreja. Sem ela perde-se, pouco a pouco, o sentido da fé e de Igreja, o sentido de referência à comunidade cristã. Que fica? No máximo, um vago sentimento religioso e de pertença. E, em nome disso, pedem-se baptismos para os filhos, casamentos com muita música e flores, funerais com missa... Que contraditórios e incoerentes somos!
Se os que vão à missa, são maus, que seria se não fossem? Se os que não vão, são bons, que seria se fossem? Porque será que gostamos tanto de nos iludir com falsos argumentos, que só nos convencem a nós? Vamos ser transparentes e nobres. E, em nome disso, não digamos ser o que não somos. Assumamos humildemente a realidade, dando todos um passo em frente. Deus, que nos ama, espera por nós. Ânimo, pois somos tanto mais o formos em Deus e na fé. Sem isso não somos nada, mesmo tendo tudo o resto.
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