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Em russo, pode-se por João Paulo II, «Bispo de Roma, para que, como Pedro foi o primeiro a experimentar a misericórdia de Deus, acolhendo o convite a confirmar os irmãos na unidade, assim ele anime todas as Igrejas e comunidades cristãs em direcção àquela comunhão fraterna de fé e de vida que caracterizou por tantos séculos o Corpo indiviso de Cristo». A segunda intenção é em grego: «Por todas as Igrejas do Oriente e do Ocidente, reconhecidas a Deus pela recente Assembleia ecuménica de Graz, e por todos os que actuam a favor da unidade e imploram a sua consecução, para que, próximos do dealbar do novo Milénio, decididamente e com uma consciência amadurecida, estejam cada vez mais dispostos ao «sacrifício da unidade».
Para este «sacrifício da unidade» - a disponibilidade para renunciar ao que for possível é preciso passando com Cristo pela inevitável agonia que crie finalmente condições para a plena comunhão dos cristãos - o Papa e a Igreja Católica Romana desejarão sem dúvida viver a sua quota-parte, juntamente com todos os outros Pastores, Igrejas e comunidades, numa aproximação convergente para aquele futuro que só Deus conhece e que, humanamente falando, se apresenta ainda distante.
A inesperada recusa de Bartolomeu I
de enviar a habitual delegação do patriarcado Ecuménico
de Constantinopla às celebrações de
S. Pedro e S. Paulo, em Roma, vem na sequência da também
imprevista ausência deste Patriarca da Assembleia ecuménica
de Graz. Segundo os elementos disponíveis, não pode
deixar de surpreender a animosidade desta dura reacção
motivada pelo facto de, na preparação do previsto
(mas não concretizado) encontro do Papa em Viena com o
Patriarca Alexis II de Moscovo), o Vaticano não ter envolvido
também o Patriarcado Ecuménico.
Novos temores e medos inconscientes
É conhecida a rivalidade que desde sempre contrapõe o Patriarcado de Constantinopla ao de Moscovo, visto praticamente como uma cisão da unidade do mundo Ortodoxo. Uma animosidade que a nova situação criada com a dissolução da União Soviética não ajudou a dissipar, antes pelo contrário.
Da parte da Igreja Católica, na sequência dos importantes passos de aproximação dados por Paulo VI e pelo Patriarca Atenágoras, as relações com o patriarcado de Constantinopla encontravam-se, aparentemente, no bom caminho. Embora, na realidade, uma parte significativa das Igrejas Ortodoxas não atribuam ao Patriarcado de Constantinopla mais do que a importância meramente simólica de uma relíquia histórica, sem influência decisiva do ponto de vista hierárquico e canónico, ainda assim a veneração ligada a esta sede poderia, do ponto de vista da caminhada ecuménica, revelar-se de especial importância. Até por isso, Roma não se poupou a esforços em relação à Sede patriarcal de Fanar (Istambul). As honras sinceramente prestadas a Bartolomeu I, na sua visita a Roma, há dois anos, assim como, recentemente, em Milão, onde participou a convite do Cardeal Martini nas celebrações ambrosianas, testemunham bem uma deferência que fazia supor uma real aproximação, que prometia dar frutos, a seu tempo, na comunhão Ortodoxos-Católicos.
Agora, este volte-face. Como afirmou o Papa no Angelus de 22 de Junho, não obstante se tenha criado, com o movimento ecuménico, uma nova situação entre os discípulos de Cristo, a verdade é que «às vezes insurgem perturbações inesperadas, nascem novos temores, serpenteiam medos inconscientes».
No que diz respeito ao Patriarcado de Moscovo, embora seja sem dúvida decepcionante o adiamento do previsto encontro do Papa com Aléxis II, o tom das mensagens e dos comunicados que acompanharam esta decisão revelam algum progresso. Não fechando as portas e reconhecendo expressamente o interesse do encontro do Patriarca de Moscovo com o Papa, na prática prevê-se a concretização, não muito distante, desde passo que se pode revelar importante.
A recriminação, frontalmente repetida em Graz pelo próprio Patriarca de Moscovo, de um alegado «proselitismo» da parte da Igreja Católica na Rússia, exigirá da parte de Roma, um redobrado esforço de discrição e de respeito, para ajudar a superar preconceitos que até podem ter tido, mesmo no passado recente, algum fundamento.
| Pacheco Gonçalves |
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