RECORTE
A força e a fraqueza da Igreja
A Igreja vive o drama entre ser uma empresa falida,
insignificante, marginal, ausente das grandes questões
da pós-modernidade e, simultâneamente, em Portugal,
ser tida como a patroa das religiões, o fantasma dos políticos,
a juíza dos governantes, a monopolizadora da educação,
dos monumentos, dos meios de Comunicação, para não
falar desse «império» chamado Vaticano, sócio
- diz-se - de grandes multinacionais e certamente alguém
lhe vislumbrará petróleo e arábicas alianças
sob os relvados onde, pela tardinha, o Papa de vez em quando reza
o terço. Estas duas imagens, de fragilidade e imperialismo,
coabitam e exibem-se alternadamente consoante dão jeito
nas argumentações, debates, sobretudo em comentadores
que recebem dois convites por dia para fazerem conferências,
especialistas que são em todas as generalidades. Um texto
recente de António Pinto Leite sobre a «pesca e a
rede» ou seja, a força e a fragilidade da Igreja no
mundo contemporâneo, abriu inteligentemente a porta para
esta reflexão. Por um lado, existe algum paroquialismo
provinciano que confunde Evangelizar com o ter o coreto junto
à igreja, os bombeiros para alcançar o sino, as
creches, jardins, escolas e centros de terceira idade controlados
e dirigidos pela Igreja. Como se evangelizar fosse criar estruturas
e pequenas empresas apoiadas pelo Governo. Nesse sentido, têm
razão os que se queixam de a «Igreja» querer
açambarcar tudo. Mas, sem excluir os carismas de humanidade
que a Igreja é capaz de imprimir a essas acções,
urge compreender que o campo da cultura, dos media, da missão,
do serviço, da mobilização dos jovens é
pista que abre o futuro. É numa lúcida aliança
com o mundo contemporâneo, onde se joga o destino dos novos
tempos, que a Igreja pode projectar uma nova luz, apoiada no património
espiritual que recebeu a partir de Jesus e do inesquecível
dia de Pentecostes
| António Rego, in Ecclesia |
Semana da Vida, de 18 a 25 de Maio
A criança «dá
vida» à família
«A criança, na família,
dá maiis vida à vida» é o tema da mesa-redonda
que decorre na Casa Diocesana de Vilar, Porto, pelas 21,30 horas
do dia 23, Domingo. Depopis de uma intervenção inicial
de D. António Monteiro, bispo de Viseu e presidente da
Comissão Episcopal da Família, Maria José
e Orlando Salcedas dirão que «A criança traz
mais vida ao casal e à família», o Dr. Hugo
Meireles falará sobre «A qualidade de vida a dar à
criança desde o seio materno» e o Dr. Filipe de Almeida
sobre «A criança deficiente na família».
Promovida pela Comissão Episcopal
da Família, a Semana da Vida quer mobilizar as pessoas
para quem num esforço ético comum, ponham em marcha
uma estratégia a favor da vida, construindo, como lembra
joâo Paulo II, «uma nova cultura da vida». Para
isso apareceu o Dia da defesa da vida, promovendo em todas as
nações «o reconhecimento do sentido e valor
da vida humana» e proclamando «o Evangelho da Vida».
Nesse sentido, o Secretariado Nacional
da Pastoral Familiar propôs uma série de temas de
reflexão para grupos: «A criança, dom ao amor
dos pais», «A criança, sujeito de direitos»,
«A qualidade de vida da criança», «A vida
da criança é inviolável desde o primeiro
momento», «A vida humana é um dom e uma responsabilidade»,
«Defender todos os direitos das crianças», «A
criança em situação de deficiência»
e «A criança adoptada».
Desde 1991
Foi no fim do Sínodo da Europa,
em 1991, que o Papa João Paulo II propôs que em cada
ano se celebrasse uma festa da Vida, um Dia da Vida. E a Conferência
Episcopal escolheu para isso a terceira semana de Maio como Semana
da Vida. Nesse ano deram-lhe como tema «A Família
e a Vida» e nos anos seguintes: «Toda a Vida pede Amor»
e «Respeitar a Vida é Amar o Homem». Neste ano,
pretende-se chamar a atenção para os direitos das
crianças, não só à vida, mas também
ao amor, ao respeito pela sua dignidade e ao lugar fundamental
que têm na família e na sociedade.
A perspectiva do Jubileu deverá
ajudar a ver «nas feições de qualquer criança»
o rosto de Jesus e o mistério da vida humana. Por todo
o mundo, tantas discussões e programas não conseguem
resolver os problemas das crianças abandonadas ou exploradas
em países pobres mas também nos ricos. A Semana
da Vida deverá apontar noutra direcção fazendo