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PRAÇA DE SÃO PEDRO

Intransigência e modernidade

Não deixa de ser surpreendente que o magazine britânico "Times ", num extenso dossier sobre a Itália, publicado no seu último número, nomeie André Riccardi como umas das dez personalidades mais em destaque neste pais, de entre aqueles que "de muitas maneiras vão conduzindo a Itália a caminho do novo milénio".

Fundador da já bem conhecida Comunidade de Santo Egídio, André Riccardi (nascido em 1950) é professor de História do Cristianismo na Universidade Roma III,. Anteriormente ensinou História dos Partidos e Movimentos Políticos noutra universidade do Sul da Itália. Especializados em questoes ligadas ao século XX, e muito atento à recente história do papado, dedicou duas obras ao pontificado de Eugénio Pacelli : "Pio XII" (1984) e "As Igrejas de Pio XII" (1986). Mais recentemente, estudou as relações entre "O Vaticano e Moscovo" e "O poder do Papa. De Pio XII a João Paulo II (1993).

Com notável capacidade de síntese, acaba agora de publicar um interessante volume de divulgação sobre alguns factos mais significativos na vida e evolução da Igreja Católica nos últimos 100 anos. "Intransigência e modernidade. A Igreja Católica a caminho do terceiro milénio" foi o título escolhido. Através de 16 curtos capítulos, num estilo directo e sincopado (bem mais ao jeito da língua francesa do que do prolixo modo de expressão italiano), desdobram-se em grandes traços toda uma série de factos e aspectos que assinalaram, ao longo deste século, a marcha da Igreja confrontada com a guerra, o comunismo, a descolonizaçao, o ecumenismo, a secularizaçao, o mercado das seitas, o confronto inter-religioso.


Libertar a tradição das escórias

Emerge toda a importância do pontificado de João XXIII e do Concílio Vaticano II, precisamente como esforço de "simpatia" com o mundo contemporâneo e de diálogo "compreensivo" com a modernidade, superando alguns mal-entendidos ou reformulando melhor a "intransigência" das posições "anti-modernistas" do início do século. O lefebrianismo ("o único cisma do século") é muito naturalmente encarado como um tradicionalismo que recusa a atitude de diálogo preconizada por Paulo VI, assim como de toda e qualquer forma de ecumenismo, inculturação e encontro inter-religiões. "O debate sobre a tradição - observa o historiador Riccardi - apresenta-se como um ponto decisivo para a Igreja... É por isso que a Igreja pós-conciliar se qualifica como uma expressão de maior fidelidade à tradição, libertada das escórias do passado."

Significativamente, esta obra de A.Riccardi foi publicada numa casa editora "laica" e "de esquerda" (Laterza), no meio de outros títulos dedicados a questões histórico-políticas da actualidade (a Europa em questão, unicidade ou federalismo da Itália). Uma colecção cujo título ("Il nocciolo", o caroço) aponta o estilo de essencialidade que se pretende. O próprio preço dos volumes (menos de um conto), em formato de bolso mas com excelente qualidade gráfica, é um convite à divulgação. O leigo cristão e católico que é o historiador André Riccardi prefere muito justamente a presença e intervenção nos meios abertos e amplos do mundo da Universidade e do debate público. Um sinal dos tempos e deste diálogo com a modernidade que constitui o fio condutor desta obra.
Pacheco Gonçalves
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Jovens da Vigararia da Maia

Nas instalações da paróquia da Maia decorreu durante todo o dia 20, Domingo, a Assembleia vicarial de Jovens, tendo por tema «Pastoral juvenil: realidades e perspectivas... em ordem ao Terceiro Milénio». Estiveram presentes jovens de Corim, Maia, Gueifães, S. Pedro de Avioso, Santa Maria de Avioso, Milheirós, Folgosa e Vermoim.

De manhã, houve trabalho de grupos sobre o que se entende hoje por juventude e por pastoral juvenil, e plenário. De tarde, realizou-se uma mesa-redonda com um padre, um jovem, um membro do Secretariado e um representante de um movimento. No fim fez-se uma síntese, seguindo-se a Eucaristia.

O encontro contou com a participação de D. José Augusto, bispo auxiliar, que lembrou aos jovens que a acção de Cristo «Bom Pastor» é hoje continuada por gente que O seguiu na diversidade das vocações na Igreja, seja no sacerdócio ministerial, na vida religiosa e missionária ou na consagração secular. E aos jovens que têm como assessor o P. Godofredo Silva deixou o apelo de prepararem bem o próximo Dia Mundial da Juventude que levará muitos a Paris. Para isso importa que cada um procure «anunciar Cristo», o que exige momentos de intimidade com Deus; viver a experiência da Igreja e transmiti-la a outros; encorajar os jovens «a serem missionários», empenhando-se no serviço da Igreja e do próximo.

Como lembrou D. José, este momento é de «descoberta ou confirmação de um chamamento de Deus», a que pode responder-se na vid sacerdotal e religiosa ou na consagração laical no meio do mundo. «Ide ter com os jovens» é o apelo do Papa de modo que os anseios e aspirações juvenis venham a ser atingidos. E então os jovens hão-de descobrir que a liberdade «é um desafio e um risco»


Crisma em Várzea, Arouca

A paróquia de Várzea, Arouca, a cargo do P. João Almeida, teve, no sábado, dia 13, o Crisma de 31 fiéis por D. Manuel Pelino, bispo auxiliar. D. Manuel, dirigindo-se aos jovens durante a Eucaristia que foi concelebrada pelos padres João e Nuno, advertiu para a necessidade de se viver em comunidade e de valorizar a família. Apelou para a participação nas actividades da paróquia, bem como em associações que proporcionem uma vida sã.

Lembrou ainda a importância da formação cristã e do bem que pode advir da leitura da Sagrada Escritura, pois permitirá uma vida mais íntima com Cristo.

D. Manuel teve a oportunidade ainda de conhecer as principais actividades da paróquia e de incentivar a comunidade para uma vivência sempre mais fervorosa.


Apostolado das Crianças avança em Santo Tirso

No Colégio de Santa Teresa, em Santo Tirso, reuniu-se nos dias 26 e 27, sábado e domingo, a equipa nacional do MAAC, movimento de apostolado de adolescentes e crianças, para reflectir sobre a situação deste movimento nas dioceses e a nível nacional. A reunião teve ainda por objectivo preparar o I Encontro Europeu de Crianças que terá lugar de 3 a 10 de Agosto na região de Lyon, França, sendo promovido pelo Movimento Internacional de Apostolado das Crianças - MIDADE-Europa. O tema será «Os direitos das crianças na Europa» e a preparação do encontro pretende que sejam as crianças os seus principais actores numa dinâmica de preparação-reflexão-avaliação e celebração.

No estilo da Acção Católica, o MAAC tenta educar as crianças como autores do seu próprio desenvolvimento. Na diocese do Porto tem um núcleo em Santo Tirso, com sede em Monte Córdova (Tel. 052-58426), tendo como assistente o P. Fernando Mota, pároco de Refojos, Lamelas e Reguenga.

O MAAC destina-se a crianças de todos os meios, embora exista particularmente nos meios operários, rurais e marginais. Acompanhadas por jovens ou adultos que participam nos seus jogos e discussões, as crianças vão ganhando confiança para participarem na sociedade, dando a conhecer os seus problemas e questões. E vão conhecendo Jesus como «amigo das crianças» e que lhes diz que levantem a sua voz para que o mundo ame um pouco mais e deixe de explorar os sentimentos das crianças.

Numa actividade que é complementar da Catequese, o MAAC apela às crianças para que vivam a Boa Nova de Cristo no dia a dia e leva a crianças que são filhas de famílias cristãs a convidarem outras que o não sejam para que venham participar nas suas actividades.


Cáritas do Porto presta contas

A Cáritas Diocesana do Porto apresenta agora, como é seu hábito, as contas do peditório de rua: 18 mil contos. As circunstâncias tornam cada vez mais difícil realizar um peditório como o que a Cáritas Diocesana promove desde há muitos anos. Há, de facto, muitos peditórios que saturam as pessoas que andam na rua e dificulta também «a missão de pedir». Apesar disso, fiel à sua missão, a Cáritas quer promover a partilha de bens e por isoo não prescinde de pedir às pessoas apoio para tantas necessidades que lhe batem à porta. E as pessoas, sensibilizadas pelo trabalho de tantos voluntários, corresponderam mais uma vez com 18.167.361$00.

Entende a Cáritas Diocesana que deve haver transparência em todas as instituições e não só nas de carácter político. E por isso, como habitualmente, presta contas, aproveitando a ocasião para agradecer aos párocos, reitores, capelães, conferências de S. Vicente de Paulo, Apostolado da Oração, bem como às instituições de carácter religioso e social, comunidades eclesiais e a todo o povo anónimo que não regateia a sua ajuda aos que mais precisam. É com o apoio de todos esses que a Cáritas prossegue na sua obra de assistêrncia e promoção social
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