Especial:


Tema do Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro)

«Oferece o perdão recebe a Paz»

O cardeal Etchegaray apresentou em conferência de Imprensa, na 3ªfeira, no Vaticano, a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, que desde 1968, se celebra em 1 de Janeiro. «Oferece o perdão, recebe a Paz» é o tema e, segundo explicação dada a conhecer pelo Vaticano, dirige-se especialmente a todos os que sofreram ou ainda suportam conflitos de toda a espécie. Desta forma, o Papa quer encorajá-los a perseverarem, sem desanimar, no árduo caminho da Paz, pois ele passa necessariamente pelo perdão. Os conflitos que põem em confronto pessoas, comunidades e nações não podem ser resolvidos pela violência e pela guerra, como tentam fazer normalmente. Isso apenas leva ao enfraquecimento das relações sociais e nem o calar das armas é a necessária solução, pois nesse caso permanecem as situações que levaram à guerra e, tantas vezes, redobrados sentimentos de vingança.

Sem dúvida que o perdão e o mútuo compromisso de reparar as ofensas são o único caminho seguro para a Paz. Mas como será possível perdoar depois de tantas atropcidades? A mensagem aponta a resposta... só em Deus é possível encontrar força para perdoar, pois Ele também perdoou em Jesus Cristo e n'Ele a todos oferece o dom do perdão, para uma verdadeira reconciliação de toda a humanidade.

O perdão começa, assim, por ser oferecido e quem aceita uma tal Oferta vê abrir-se-lhe um caminho que, percorrido em conjunto com outras pessoas, será capaz de vencer os mais tortuosos caminhos da História e fazer nascer tempos novos de reconciliação e de paz. Será um processo longo e árduo, mas será o único capaz de conduzir a uma verdadeira Paz.

Para que se percorra tal caminho no plano político e social é urgente a verdade sobre muitas situações, sabendo ultrapassar a conivência do silêncio sobre crimes hediondos, massacres de inocentes, deportações comunidades e mesmo de povos, e outras formas de moderna violência. Em tudo isto, adverte o Papa, é indispensável rejeitar com vigor todas as formas de vingança, pois são maneiras camufladas de prolongar a guerra.

Três anos antes,
a Mensagem

A três anos do ano 2000, o Papa lembra as luzes e sombras deste tempo e convida a todos a que empreendam «uma verdadeira peregrinação» a caminho da Paz, partindo da situação em que cada um se encontre. E aponta o caminho do perdão de olhos postos em Deus que é fonte do perdão e «rico de misericórdia».

A mensagem apresenta os seguintes passos nesta caminhada para a Paz: «O mundo ferid anseia pela cura», «O peso «Verdade e justiça, pressupostos do perdão», «Ao serviço da reconciliação» e «Um apelo a toda a pessoa de boa vontade».

O apelo final dirige-se, antes de mais, aos bispos e padres para que sejam «espelho do amor misericordioso de Deus», nas comunidades e no mundo, e aos pais para que sejam junto dos filhos «reflexo do amor e do perdão de Deus» e construam «uma família unida e solidária». Dirige-se depois aos outros educadores, aos jovens que alimentam «grandes esperanças do coração» para que respondam à violência «com obras de paz», aos políticos e a todos os que trabalham nosmeios de comunicação e, por fim, a todos os que acreditam em Cristo para que caminhem pela estrada do perdão e da reconciliação e acompanhem este pedido de paz «com gestos de fraternidade e de recíproco acolhimento», ofereçam o perdão e recebam a Paz.

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Dia Mundial da Paz para quê?

Foi em 1968 que começou a celebração de um Dia da Paz, por sugestão do Papa Paulo VI, num objectivo de unir, em reflexão, todas as pessoas interessadas na Paz. E, considerando que são muitos os perigos que sempre ameaçam a Paz, o Papa escolheu para isso o primeiro dia do ano, quando será mais fácil olhar o futuro com um espírito novo e quando todos estão mais dispostos para receber e transmitir votos de Paz.

Entretanto, como nessa altura escreveu o Papa, será necessário percorrer um longo caminho para se criar uma mentalidade capaz de respeitar os outros e de apostar na fraternidade e na colaboração entre os povos.

Por tudo isto, o Dia da Paz não deverá ser para se olhar apenas para os conflitos, violências e destruição que haja no mundo, mas para sonhar com novos caminhos de desenvolvimento, de comunicação e entre-ajuda, e para dar alguns passos em comum em favor da educação, justiça e da liberdade. Será uma excelente oportunidade para reflectir sobre os direitos da pessoa humana, de cada família, comunidade ou nação.

Como se sabe, o dia da Paz foi promulgado depois da encíclica «O Progresso dos Povos», de 1967, que, num tempo em que aumentava assustadoramente o desequilíbrio entre países ricos e pobres, conclui que o desenvolvimento é o novo nome da Paz. Nessa encíclica de Paulo VI chama-se a atenção, pela primeira vez, para as causas das desigualdades que a tantos lançam para a miséria e faz-se apelo a um desenvolvimento integral de cada homem e solidário de toda a humanidade, o que só poderá acontecer pelo esforço de passagem de condições de vida menos humanas a condições de vida «mais humanas».

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Etapas para a Paz

Desde 1968, quando Paulo VI apresentou as razões para a promulgação de um dia de reflexão sobre a Paz, ou seja de sonhar, pedir e dispor-se a iniciar um tempo de Paz, e apesar de alguns retrocessos, muitas foram as iniciativas e os passos dados em favor da Paz. Em cada ano, esses passos seguiram um tema proposto pela Igreja:

1969: «A promoção dos direitos do Homem, caminho para a Paz»

1970: «Educação para a Paz mediante a reconciliação»

1971: «Todos os homens são meus irmãos»

1972: «Se queres a Paz, trabalha pela Justiça»

1973: «A Paz é possível»

1974: «A Paz também depende de ti»

1975: «A reconciliação, caminho para a Paz»

1976: «As verdadeiras armas da Paz»

1977: «Se queres a Paz defende a vida»

1978: «Não à violência, sim à Paz»

1979: «Para alcançar a Paz, educar para a paz»

1980: «A verdade, força da Paz»

1981: «Para servir a Paz, respeita a liberdade»

1982: «A Paz, dom de Deus confiado aois homens»

1983: «O diálogo para a Paz, um desafio para o nosso tempo»

1984: «De um coração novo nasce a Paz»

1985: «A Paz e os jovens caminham juntos»

1986: «A Paz é um valor sem fronteiras. Norte-Sul,Leste-Oeste: uma só Paz»

1987: «Desenvolvimento e Solidariedade: duas chaves para a Paz»

1988: «Liberdade religiosa, condição para a Paz»

1989: «Para construir a Paz, respeitar as minorias»

1990: «Paz com Deus Criador, paz com toda a Criação»

1991: «Se queres a Paz, respeita a consciência de cada homem»

1992: «Os crentes unidos na construção da Paz»

1993: «Se queres a Paz vai ao encontro dos pobres»

1994: «Da família nasce a Paz da família humana»

1995: «Mulher, educdora de Paz»

1996: «Dêmos às crianças um futuro de Paz»

1997: «Oferece o perdão, recebe a Paz»
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