Ao chegar, e antes de ter sido saudado pelo chefe de Estado, Milan Kucan, o Papa beijou um recipiente com terra, simbolizando que se encontrava pela primeira vez nesta nação que confina com a Itália e em que cerca de 86 por cento das pessoas se dizem católicas. Milan Kucan, um ex-comunista que lutara pela independência, agradeceu vivamente ao Papa o apoio que dera para o fim do comunismo e para se pôr fim a quatro anos de guerra civil, primeiro na Croácia e depois na Sérvia. A paz chegou em Novembro com um acordo entre os beligerantes. A independência da Eslovénia fora em 25 de Junho de 1991.
A visita do Papa começou pela basílica de Brezje, o mais importante local de peregrinação do país, tendo-se encontrado depois com o presidente Esloveno e terminando com a oração de Vésperas na catedral de Ljubljana.
No sábado era dia de aniversário do Papa - 76 anos - e logo de manhã foi saudado por crianças que entoavam cânticos. Seguiu depois para o hipódromo de Stozic, onde celebrou para 75 mil fiéis. Na homilia, evocou os padres, freiras e crentes que, ao longo de 50 anos, sofreram ou foram mortos pelo regime comunista, acrescentando que eles agora «imploram a Deus pela reconciliação, paz e concórdia» desta nação. Os sinos das igrejas tocavam e as pessoas vieram saudar o Papa com alegria, num verdadeiro contraste com o tempo em que eram obrigados a esconder a sua Fé. Depois de um encontro com o primeiro ministro Drnovsek, João Paulo II encontrou-se com os jovens no aeroporto de Postojna.
No domingo, o Papa celebrou no aeroporto de Maribor para 150 mil pessoas eslovenas e de outros países. Dirigindo-se a uma sociedade em rápida transformação, o Papa apontou os perigos do capitalismo selvagem, idênticos aos do velho comunismo ditado por ideologias totalitárias.
A um povo que o aplaudia com vigor, o Papa anunciou para breve a beatificação do bispo esloveno Anton Slomsek, que simbolizou o acordar da consciência nacional no século passado ao transferir a sede episcopal da Áustria para a Eslovénia e ao encorajar os movimentos sociais que promoviam actividades na linha do Evangelho. Para além disso, os poemas populares que escreveu fazem com que seja considerado o pioneiro da cultura eslovena.
O encontro final foi com 300 intelectuais e o presidente Kucan, tendo apelado a para que trabalhem com a Igreja de modo a poderem superar a crise profunda deste tempo: «A atmosfera de angústia e de desconfiança que hoje reina e a clara confusão que caracteriza a cultura europeia exigem que lancemos um novo olhar sobre as relações entre a Cultura e o Cristianismo».
Na catedral barroca de Sveti Nikolai, o Papa criticou com firmeza o secularismo e o consumismo que agora brotam em lugares que abrem os braços a uma economia de mercado. A um povo cuja independência o Vaticano foi dos primeiros a reconhecer, João Paulo II advertiu-o para o perigo de permitir que o vazio deixado pela velha ideologia ser agora ocupado por outra não menos perigosa, «a do capitalismo desenfreado».
Referindo os tempos passados, salientou
que o século XX foi manchado «pelo sangue de inocentes
e mártires» por causa de «ideologias que desprezaram
Deus». Salientou que os que constroem um mundo sem Deus,
apenas conseguem «unificá-lo contra o homem, contra
a sua verdadeira realização e identidade» e
comparou a acção da Igreja nos países que
foram comunistas à de Moisés que conduziu o seu
povo «da escravatura para a verdadeira liberdade».
João Paulo II esteve na 6ª-feira de manhã com D. Ximenes Belo, administrador apostólico de Dili, em visita «ad limina». A última tinha sido há onze anos, ou seja, em 5 de Julho de 1985. Dado que a diocese timorense está directamente sob a dependência de Roma, D. Ximenes pôde estar a sós com o Papa e dialogar sobre a situação da Igreja naquele território ocupado pela Indonésia.
Como se sabe, ainda em recente visita do ministro indonésio dos Assuntos Religiosos, foi pedida a integração dessa Diocese na Conferência Episcopal indonésia, mas o Papa não atendeu as solicitações do governo de Jacarta.
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