Leonel Oliveira



(Ím)pias piadas

O riso e o siso não são tão inversos quanto os tristes e sérios pensadores das dores do Mundo nos querem fazer pensar. Risos há de muita espécie, e nem todos são felizes, como o riso dos tolos e o sorriso dos tímidos. As artes da Graça conseguem conciliar, sem escangalhar a Alegria, o muito siso com o muito riso, risos tantos que há nos Santos que o Mundo nunca os entendeu: é a razão por que se diz que só o Amor é capaz de Humor. Os palhaços? Os bobos? Os palhaços disfarçam a tristeza por detrás de pinturas e máscaras, e os bobos piam piadas como aves feridas... Nos Actos, no Livro dos Actos dos Apóstolos, os Santos são gente cheia do Espírito Santo e cheia de Alegria. A Diferença também é capaz de cultivar uma certa indiferença e de manter uma certa distância face ao riso dos Tolos e ao mau-humor dos Cínicos.

Saber estar em Portugal pode ser difícil e penoso. Mas «tudo é possível a quem acredita». Até porque nós próprios, membros da Igreja que-está-em-Portugal, também somos portugueses e fazemos parte destes indígenas. Talvez não seja por mal, e talvez sejam boas as intenções destes exercícios de escárneo e mal-dizer, mas a atenção que prestamos uns aos outros é própria de terras pequenas e de gente pequena. Eu dou um exemplo, ou dois, se quiserem: a terra em que nasci e o bairro onde moro. Para se entreter nas poucas horas de lazer, que têm as pessoas para fazer além de se ver e de se meter uma com as outras? Por vezes acaba mal: começam a rir e acabam a chorar tal e qual as crianças. E, contudo, a gente pequena e os países pequenos, como as crianças, têm, uma aptidão e um tal grau de observação que é uma pena ver as pessoas oscilar entre a megalomania e a mesquinhês.

Eu sou solidário, sinto-me solidário com a indignação dos meus, que se sentiram chocados com as (ím)pias piadas de quem disse que não teve intenção de ofender, mas não teve atenção aos limites onde começa o respeito pelos outros... Eu sei, eu próprio já fiz a experiência de ser mal entendido, que há sensibilidades excessivamente sensíveis. Mas, como nos ensinou o Apóstolo, é preciso contar com elas, e há liberdades legítimas que o Amor, mesmo e sobretudo o humor do Amor, auto-limita. Na corte os bobos usavam de liberdade que a outros não era concedida. Em democracia qualquer um pode usar da liberdade dos bobos, mas para uma boa convivência democrática quem é bobo, ou faz de bobo, se não respeita aos outros... pode considerar-se democrata de longa data, mas não é bom democrata.

Como reagiria o J.C. às (ím)pias piadas que há cem anos aguentamos entre os Portugueses desde «A Velhice do Padre Eterno» e desde «A Relíquia» até às momices de H.J. sem esquecer as anedotas que os Católicos contam ao ouvido uns dos outros? Rir-se-ia como sugere M.O. na sua entrevista à T.S.F. com o franco falar que se lhe conhece? Os sentimentos e os pensamentos que Lhe conhecemos através de quanto fez e disse, nos levam a pensar que reagiria com a mesma Indiferença com que reagiu diante da raposa chamada Herodes e diante dos risos com que troçaram d'Ele próprio as pessoas da geração d'Ele na terra d'Ele. Os imbecis riem-se do que não compreendem. Eu sou solidário com a indignação dos meus. Mas gostava de dizer que as momices de H.J. são coisa de nada comparada com as coisas sérias (muito sérias!) que a Intelligentsia e os Escribas de Portugal, o nosso chapéu-pensante, dizem de nós, contra nós. É claro que 1996 não é 1917, e as tolices dum homem chamado Moisés do Espírito Santo só perturbam os devotos da Arábia Saudita...

Há um ajuste de contas que ainda não acabou entre a Igreja e o País. São contas e são contos, contas mal ajustadas e contos mal contados, que vão demorar o seu tempo a finalizar. Os Santos, especialistas neste tipo de contas, porque são humildes como a Verdade, vão ser eles a tomar conta deste deve e haver. Até porque são gente que não tem nem mete medo. A liberdade que há na Modernidade lhes vai dar tempo e espaço, em plano de igualdade. De resto, cultivar uma certa indiferença, não digo tolerância que essa... mas uma certa indiferença, de que só os Santos são capazes sem fingir, diante de certas provocações e situações, muito nos ajudaria a estar, seja entre os indígenas portugueses, seja entre os esquimós.



BRAGANÇA-MIRANDA

Diáconos

No termo da Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, no domingo, dia 28 de Abril, o bispo D. António Rafael instituiu na igreja do Seminário de S. José, em Bragança, um leitor e um acólito, respectivamente António Domingues, da vizinha paróquia de S. Bento e Paulo Pimparel, da Senhora da Encarnação, em Mirandela, ambos a frequentarem o Seminário Maior do Porto.

Referindo-se à Pastoral Vocacional e à celebração dos 450 anos da Diocese, D. António apelou a um maior empenho e valorização dos ministérios laicais na Pastoral diocesana. E lembrou que no próximo domingo, dia 5, serão ordenados três diáconos permanentes no decorrer da dedicação da igreja de S. Bento, em Mirandela.