| Leonel Oliveira |
Saber estar em Portugal pode ser difícil
e penoso. Mas «tudo é possível a quem
acredita». Até porque nós próprios,
membros da Igreja que-está-em-Portugal, também somos
portugueses e fazemos parte destes indígenas. Talvez não
seja por mal, e talvez sejam boas as intenções destes
exercícios de escárneo e mal-dizer, mas a atenção
que prestamos uns aos outros é própria de terras
pequenas e de gente pequena. Eu dou um exemplo, ou dois, se quiserem:
a terra em que nasci e o bairro onde moro. Para se entreter nas
poucas horas de lazer, que têm as pessoas para fazer além
de se ver e de se meter uma com as outras? Por vezes acaba mal:
começam a rir e acabam a chorar tal e qual as crianças.
E, contudo, a gente pequena e os países pequenos, como
as crianças, têm, uma aptidão e um tal grau
de observação que é uma pena ver as pessoas
oscilar entre a megalomania e a mesquinhês.
Eu sou solidário, sinto-me solidário
com a indignação dos meus, que se sentiram chocados
com as (ím)pias piadas de quem disse que não teve
intenção de ofender, mas não teve atenção
aos limites onde começa o respeito pelos outros... Eu sei,
eu próprio já fiz a experiência de ser mal
entendido, que há sensibilidades excessivamente sensíveis.
Mas, como nos ensinou o Apóstolo, é preciso contar
com elas, e há liberdades legítimas que o Amor,
mesmo e sobretudo o humor do Amor, auto-limita. Na corte os bobos
usavam de liberdade que a outros não era concedida. Em
democracia qualquer um pode usar da liberdade dos bobos, mas para
uma boa convivência democrática quem é bobo,
ou faz de bobo, se não respeita aos outros... pode considerar-se
democrata de longa data, mas não é bom democrata.
Como reagiria o J.C. às (ím)pias
piadas que há cem anos aguentamos entre os Portugueses
desde «A Velhice do Padre Eterno» e
desde «A Relíquia» até às
momices de H.J. sem esquecer as anedotas que os Católicos
contam ao ouvido uns dos outros? Rir-se-ia como sugere M.O. na
sua entrevista à T.S.F. com o franco falar que se lhe conhece?
Os sentimentos e os pensamentos que Lhe conhecemos através
de quanto fez e disse, nos levam a pensar que reagiria com a mesma
Indiferença com que reagiu diante da raposa chamada Herodes
e diante dos risos com que troçaram d'Ele próprio
as pessoas da geração d'Ele na terra d'Ele. Os imbecis
riem-se do que não compreendem. Eu sou solidário
com a indignação dos meus. Mas gostava de dizer
que as momices de H.J. são coisa de nada comparada com
as coisas sérias (muito sérias!) que a Intelligentsia
e os Escribas de Portugal, o nosso chapéu-pensante, dizem
de nós, contra nós. É claro que 1996 não
é 1917, e as tolices dum homem chamado Moisés do
Espírito Santo só perturbam os devotos da Arábia
Saudita...
Há um ajuste de contas que ainda não
acabou entre a Igreja e o País. São contas e são
contos, contas mal ajustadas e contos mal contados, que vão
demorar o seu tempo a finalizar. Os Santos, especialistas neste
tipo de contas, porque são humildes como a Verdade, vão
ser eles a tomar conta deste deve e haver. Até porque são
gente que não tem nem mete medo. A liberdade que há
na Modernidade lhes vai dar tempo e espaço, em plano de
igualdade. De resto, cultivar uma certa indiferença,
não digo tolerância que essa... mas uma certa indiferença,
de que só os Santos são capazes sem fingir, diante
de certas provocações e situações,
muito nos ajudaria a estar, seja entre os indígenas portugueses,
seja entre os esquimós.
BRAGANÇA-MIRANDA
Diáconos
No termo da Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, no domingo, dia 28 de Abril, o bispo D. António Rafael instituiu na igreja do Seminário de S. José, em Bragança, um leitor e um acólito, respectivamente António Domingues, da vizinha paróquia de S. Bento e Paulo Pimparel, da Senhora da Encarnação, em Mirandela, ambos a frequentarem o Seminário Maior do Porto.
Referindo-se à Pastoral Vocacional e à celebração
dos 450 anos da Diocese, D. António apelou a um maior empenho
e valorização dos ministérios laicais na
Pastoral diocesana. E lembrou que no próximo domingo, dia
5, serão ordenados três diáconos permanentes
no decorrer da dedicação da igreja de S. Bento,
em Mirandela.