VIANA DO CASTELO

Reconhecimento

D. Armindo Lopes Coelho, há 15 anos bispo de Viana do Castelo, recebeu uma homenagem de reconhecimento e gratidão, no sábado, presidida pelo governador civil do Distrito, Oliveira e Silva, no Auditório do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Durante esta festa de homenagem, D. Armindo, novo bispo do Porto, anunciou que, no dia 2, a Congregação dos Bispos o nomeara, como administrador apostólico da diocese de Viana do Castelo.

Na intervenção que fez, Oliveira e Silva considerou D. Armindo "um bispo de diálogo, um incansável visitador das paróquias da diocese", com um grande sentido de partilha e dinamismo e "um elevado sentido prático", a par de um "evangelizador infatigável" como referiu Flora Silva, da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

De acordo com os promotores desta homenagem, D. Armindo "não só lançou e cimentou as estruturas fundamentais da diocese, como também impulsionou o trabalho de evangelização e formação espiritual dos cristãos do Alto Minho, com as 480 visitas pastorais".

Durante a sessão de homenagem, D. Armindo recebeu a medalha de "Cidadão de Honra" de Viana do Castelo.

 

AVEIRO

Três padres

A Igreja diocesana está mais jovem com a ordenação de três sacerdotes e um diácono, no passado dia 13.

Em ambiente de festa cristã, D. António Marcelino aproveitou a ocasião para alertar os presentes, e eram muitos, para certas incoerências que caracterizam a vida dos cristãos. Apesar das igrejas aos domingos estarem cheias, a prática sacramental abundante, a participação de milhares de crianças na catequese, as "incoerências entre a fé a a vida crescem, a oposição de muitos pais à vocação dos filhos é clara", afirmou o Bispo, para lembrar, de seguida, que a crise de vocações "é sempre uma crise de consciência baptismal, uma crise de fé, uma crise de experiência pessoal de Deus, uma crise de vida cristã".

 

LEIRIA/FATIMA

Pastorinhos

O monumento aos Pastorinhos, na rotunda sul da cidade de Fátima, foi inaugurado, no dia 10. com a presença de diversas individualidades religiosas e políticas.

A criação deste monumento é uma resposta ao desejo mainifestado por muitos no sentido de dignificar o espaço constituído pela rotunda sul, depois de a rotunda norte estar embelezada com o monumento ao Peregrino.

Os Pastorinhos são representados caminhando sobre uma base sinuosa, associada ao caminho percorrido a partir de suas casas em direcção à Cova da Iria. O "caminho" vai-se elevando, até surgir um elemento vertical, que conduz o olhar do observador para o alto, o qual parece significar o eixo de condução entre a terra e o céu. A inclusão da água, num dos lados, tem a ver com o facto de em tempos aí existir uma lagoa, a Lagoa da Carreira, como explica o último número de "Voz da Fátima".

 

LISBOA

D. António

D. António Ribeiro é sócio honorário da Academia das Ciências de Lisboa. A cerimónia de investidura teve lugar no dia 10 e para além do Cardeal Patriarca, a Academia de Ciências quis também distinguir personalidades como Ferrer Correia e Mário Soares.

No discurso de agradecimento, D. António realçou que a distinção não era atribuída especificamente ao seu desempenho pessoal, pois nunca foi um académico, mas sim ao patriarca de Lisboa, retomando assim uma tradição antiga da Academia.

Os ciganos

A Igreja diocesana, através do Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional para a Pastoral dos Ciganos, fez, recentemente, um estudo sobre a comunidade cigana.

As primeiras análises permitem-nos concluir que a comunidade cigana continua a caracterizar-se por uma forte identidade cultural, apesar de ligeiras alterações do seu modo de vida: mobilidade, organização social e actividades económicas. Olhados ainda com desconfiança pela sociedade, no dia a dia, os ciganos continuam a ter graves problemas de habitação, analfabetismo e trabalho, falta de dinheiro e más condições de vida, como revelam os inquéritos efectuados. A maioria é religiosa, com 48 % evangélicos, 18% católicos e 48% crentes aconfessionais.

O estudo efectuado abrangeu 21 concelhos, 268 freguesias e 274 paróquias, envolvendo 1446 famílas, num total de 6046 pessoas.

 

ÉVORA

Aplauso

e preocupação

A generalização a todo o país do Rendimento Mínimo Garantido (RMG) -Lei nº 19/96 de 29 de Junho que institucionaliza uma prestação do regime não contributivo da segurança social e um programa de inserção social - é motivo de aplauso e desgosto para a Comissão Diocesana da Justiça e Paz, ultrapassado o período experimental de aplicação a zonas restritas.

Para os elementos da Comissão Justiça e Paz a medida agora anunciada é vista com satisfação, pois vai permitir minorar "a penúria em que vivem muitos dos nossos concidadãos", ao mesmo tempo que suscita um sentimento de tristeza ao "verificarmos como são numerosas as pessoas e as famílias que, pelos seus próprios meios, não conseguem grangear sequer o sustento físico, quanto mais as condições mínimas para uma existência condigna".

Depois de realçar o objectivo de inserção social que acompanha a aplicação do RMG, a Nota lembra que o sucesso desta medida não depende apenas das autoridades políticas e recursos financeiros, mas é um desafio à própria sociedade, "interpelada nos seus elos mais recônditos e nos seus sentimentos mais profundos de verdadeira comunidade" e, em especial, aos cristãos "para quem a palavra solidariedade é sinónimo de amor social, de esperança, de caridade e de compromisso".

D. David de Sousa

Uma solene eucaristia no Seminário da Luz, em Lisboa, com a participação de D. Maurílio de Gouveia, assinalou o 60º aniversário da ordenação sacerdotal de D. David de Sousa, bispo de Évora de 1965 a 1981.

Depois de uma primeira experiência pastoral na Madeira, D. David veio para Évora onde viveu e teve de enfrentar um dos períodos mais difíceis da Igreja diocesana. Para a história, D. David ficará ligado, entre outras iniciativas levadas a cabo, à estruturação dos serviços diocesanos de pastoral, criação de novas paróquias, Instituto Superior de Teologia.

Cabinda

Desde 1993 que a Comissão Justiça e Paz e a Cáritas Diocesana de Évora se tem empenhado em levar alguma ajuda humanitária às populações de Angola. Primeiro para Luanda e, desde 1995, directamente para Cabinda, foram enviadas centenas de milhar de peças de roupa e várias toneladas de alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e livros escolares. O destinatário, em Cabinda, é a diocese local cujo Bispo, D. Paulino Madeca, já visitou Évora tendo confirmado a recepção e a grande utilidade de tudo o que lhe tem sido enviado. A cidade de Évora também já acolheu Domingos N' Zau e Martinho da Cruz, Director de Serviços de Educação e Vice-Governador de Cabinda que sublinharam a enorme carência de equipamentos, material e livros escolares em geral e, de modo particular, de gramáticas portuguesas. Por est! a razão, estes dois organismos pedem à população que contribua para esta causa . Para este efeito está aberta na Caixa Geral de Depósitos a conta nº 26520530 - Cáritas Diocesa de Évora, onde todos os depósitos, seja qual for o respectivo montante, são benvindos.

 

BEJA

Próximo ano

Com a sucessão episcopal no horizonte, embora que não iminente, o Conselho Presbiteral debruçou-se sobre algumas questões de natureza pastoral mais prementes.

O Programa Diocesano de Acção Pastoral foi aprovado depois da introdução de ligeiras alterações. Seguiu-se, depois, a calendarização das actividades para o próximo ano, dando continuidade ao trabalho já realizado. A formação do clero, com um pequeno curso intensivo, a realizar em 22 e 23 de Outubro, vai incidir sobre o mistério da presença e acção do Espírito Santo, ao mesmo tempo que, a nível arciprestal, vai haver um maior cuidado com o estudo e aprofundamento de temas mais relacionados com a pastoral local.

Também as finanças diocesanas mereceram a atenção dos conselheiros. Face à situação problemática que se vive neste domínio, quer a nível da Diocese, quer dos seus padres, foi decidido avançar com um grupo de trabalho.

É de referir que o Conselho Presbiteral convidou D. Manuel Falcão a permanecer na diocese depois da sua resignação.

 

ALGARVE

Seminário

A construção de um Seminário de Teologia na Diocese é um dos sonhos de D. Manuel para este final de milénio.

Em entrevista que concedeu ao semanário diocesano, assinalando o 9º aniversário à frente da Igreja algarvia, D. Manuel dá a conhecer algumas das suas prioridades pastorais para este virar de século. "Gostaria de lançar na Diocese cada vez mais profundamente uma pastoral vocacional, que nos garantisse no futuro um clero capaz, devidamente formado". A propósito disto, o desejo de não querer morrer sem ver, pelo menos os caboucos abertos para um Seminário de Teologia na Diocese do Algarve". Logo de seguida, a procupação com a formação do laicado e o despertar de toda a comunidade diocesana para a tarefa da evangelização. A concretização deste objectivo passa pela consciencialização das pessoas do ser cristão e pela renovação da pastoral paroquial, até hoje, "organizada e assente ainda no pároco, muito! centr alizada na missa dominical e muito ainda à volta dos sacramentos". Para atingir as comunidades rurais sem pároco, "sobretudo nos meios da serra e nas aldeias constituídas por povoados muito pequenos e distanciados uns dos outros, requeria-se que todos os anos houvesse uma espécie de missão e que o pároco, com leigos, religiosos e religiosas organizasse oito ou quinze dias" de trabalho pastoral nessas comunidades.

 

FUNCHAL

Política

"Não é missão da Igreja resolver todos os problemas sociais mas ela contribiu para a solução parcial de certos problemas fundamentais" - afirmou D. Teodoro de Faria na homilia da Eucaristia, celebrada no dia 1 de Julho na Sé do Funchal, como Acção de Graças, pela celebração do Dia da Região Autónoma da Madeira. Na cerimónia, D. Teodoro salientou que a alma humana sente, por vezes, "dificuldade em aceitar que os outros façam obra digna, embora não perfeita, e tem mais facilidade em descobrir as sombras do que reconhecer a claridade". Aquilo que o cristianismo trouxe de mais específico à história humana, "foi relativizar todas as realizações políticas e sociais". A própria Igreja, na sua dimensão social, "tem uma grandeza que é modesta e não pretende afirmar que realizou na totalidade que lh! e era pedida, toda a sua experiência humana e libertadora". A acção política é intrinsecamente "limitada", mas forçosamente "necessária". Por isso, afirmou o prelado que é preciso promover o bem comum, missão que compete a todo o cidadão e obriga moralmente os cristãos.

  

BEJA

Universitários

O Centro de Apoio a Jovens Universitários de Beja lançou um apelo a todos os jovens universitários que este ano vão estudar para aquela cidade. Um dos objectivos fundamentais deste Centro é o acolhimento dos estudantes do Ensino Superior e o acompanhamento individual dos mesmos em ordem à sua integração na cidade, no que diz respeito ao alojamento, prestação de informações necessárias, bem como no esclarecimento de dúvidas. O apelo que este Centro faz é: "Se és estudante do Ensino Superior e se frequentas qualquer Estabelecimento de Ensino Superior de Beja, dirige-te ao C.A.J.U., na Rua Afonso Lopes Vieira, em Beja. Nós esperamos por ti e trabalhamos para o teu bem estar".

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Cristãos escreveram aos padres

Um grupo de cristãos decidiu enviar a todos os "padres de Portugal" uma mensagem a propósito da legislação sobre o aborto, intitulada "Uma carta de alguns cristãos aos padres de Portugal". Assinada por 28 personalidades bem conhecidas, ela tem o seguinte texto:

"O primeiro sentimento que nos surge, no início desta carta, é de reconhecimento e de gratidão pelo vosso ministério. O vosso serviço sacerdotal, vivido na fidelidade a Jesus Cristo e aos homens exige, não poucas vezes, uma abnegação extraordinária e uma perseverança heróica. É um trabalho frequentemente incompreendido ou mesmo, por muitos ignorado. Tendes, com as comunidades cristãs a quem servis, uma autoridade especial no serviço ao mundo e à vida (quer pela assistência social, quer pela espirituasl) da pessoa toda e de todas as pessoas.

Exactamente por este sentimento de reconhecimento, escrevemo-vos esta carta no momento em que se coloca, repetidamente, a questão da despenalização e legalização do aborto em Portugal. Num momento de tal gravidade para a nossa vida comum, é indispensável que todos, sobretudo os que têm responsabilidades pastorais, abandonemos a atmosfera de hesitação e enfrentemos a questão que se nos apresenta com incontornável persistência.

Os princípios que nos orientam a todos em tão importante matéria não se alteraram. Também os elementos fornecidos pela ciência e pela técnica são claros. Continua, outrossim, a verificar-se uma ampla identidade de entendimento sobre a defesa da vida por parte dos cristãos. Mas essa identidade parece atenuar-se no que respeita à linguagem em que tais princípios de formulam. Por isso mesmo, julgamos dever partilhar o modo como entendemos e exprimimos a questão (...). Este gesto representa, da nossa parte, uma tentativa de identificação de perspectivas e de linguagem. Não pretende, contudo, esgotar as razões da questão nem simplificá-la. Pelo contrário, tenta-se insinuar a sua complexidade.

Duma coisa estamos conscientes, neste combate, de defesa e promoção da vida, a unidade é essencial. A sua importância é de tal ordem que não admite que dele se queira tirar dividendos religiosos, ideológicos, partidários ou de qualquer outra ordem. É uma luta que obedece a um amor verdadeiro por cada pessoa concreta, em especial pela mais débil e indefesa.

Neste esforço de unidade, importa ter sempre presente o aviso do ex-abortista Dr. Bernard Nathanson à Igreja Católica nos Estados Unidos da América: "Nós (promotores do aborto) nunca teríamos levado a nossa avante se vocês (os padres) se tivessem unido resoluta e vigorosamente". Esta é a responsabilidade que hoje recai sobre nós, a Igreja de Portugal, porque um dia ouviremos o Senhor dizer-nos: "Ouvi o sangue do teu irmão bradar por mim da terra" (Gen 4,10)".

Aplauso

D. Maurílio de Gouveia, Arcebispo de Évora, manifestou o seu apoio a esta tomada de posição de cristãos leigos, dizendo que é "absolutamente saúdável" que um grupo qualificado de cidadãos, no exercício pleno da sua cidadania "e sem ocultarem a fé cristã em que se inspiram", tenha vindo dizer na praça pública: "Nós somos defensores da vida humana, ainda antes de nascer; nós somos contra o aborto, que é um atentado contra a vida humana, e por isso, um crime". E acrescentou que a carta revela ainda "um sentido de comunhão" bem necessário até porque "nem sempre as posições públicas da Hierarquia sobre valores ou princípios fundamentais têm sido devidamente secundadas por alguns sectores cristãos".

 

D. António escolhido para personalidade do ano

O Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, com o apoio da Câmara Municipal de Viseu e do IPJ, distinguiu associações e personalidades, sobretudo relacionadas com a actividade cultural e recreativa.

Para personalidade do ano foi escolhido D. António Monteiro, bispo de Viseu, o qual, "através da sua dedicação, persistência e empenhamento tem direccionado toda a sua actividade para a dignificação da instituição que dirige.

Monsenhor Celso Tavares foi também homenageado a título póstumo, a ele se devendo em boa medida, o Centro Regional de Viseu da Universidade Católica Portuguesa. Este homem, de horizontes vastos e cultura infinita, foi distinguido pela sua confiança no futuro, pelos seus estudos e investigações, que muito contribuiram para revistas e periódicos, de quem tem sido colaborador.

Este evento, levado a cabo pela "Anim' Arte", teve como cenário o auditório Mirita Casimiro, e contou com a participação do Grupo de Teatro Amador "Pais Miranda", de Canas de Senhorim, do Coro juvenil Sílvia Marques, de Mortágua, e a Insólita Praxis, de Viseu.

 

 Espiritanos para a Ásia

A Ásia é a próxima aposta pastoral dos missionários do Espírito Santo (ou espiritanos), segundo decisão do Conselho Provincial, reunido no Seminário da Torre d'Aguilha, que elegeu (reelegeu) também como responsável provincial o padre Eduardo Miranda.

Sem experiência alguma no continente asiático, os espiritianos esperam estar a trabalhar, até ao final de ano, nas Filipinas e Taiwan. O trabalho nestas paragens não terá, para já, a participação dos portugueses, mas a formação dos futuros sacerdotes vai ter já em conta a realidade asiática.

Esta assembleia serviu também para reflectir sobre a acção pastoral realizada nos últimos tempos e equacionar e perspectivar o trabalho futuro face aos desafios dos nossos tempos. E neste campo a gestão dos recursos humanos é uma preocupação que se coloca aos responsáveis face ao envelhecimento da congregação, apesar de as vocações missionárias registarem, nos últimos tempos, um ligeiro crescimento, com 20 estudantes a frequentar a Teologia.

Atentos aos problemas da justiça e da paz, os espiritanos assumem, hoje, a capelania dos africanos que residem na Grande Lisboa, têm em funcionamento o Centro padre Alves Correia para apoio aos africanos, assistem as detidas da Prisão de Tires e estão presentes no bairro da Pedreira dos Húngaros, junto a Algés, apontado como um local de tráfico de droga.