Eclesial:

Que fazer?

Segunda natureza? Sim, a dois Vícios! Que cria necessidades sem necessidade, e multiplica artifícios que não são da Liberdade, mas da Servidão, e que até aos resultados finais é muito difícil, ou mesmo impossível, distinguir das reais necessidades e das verdadeiras artes. Os Zelotes enfurecem-se, e ei-los de foucinho em punho cortando à direita e à esquerda para limpar o Campo das ervas ruins indignas da Natureza boa e primitiva, ou lançando bombas para o campo do Inimigo aos gritos de «Alá é o maior!». Tanto melhor, ou tanto pior, se na sanha purificadora de mondar o Mundo muita gente inocente acabar também por ser ceifada. Estes zelotes, estes cães raivosos, não percebem que, cegos pelo seu zelo, eles próprios tornam-se semeadores da pior e mais nefasta erva ruim: as sementes do Ódio! Não aprenderam sequer com os nossos erros, pois nós os Cristãos, contra as ordens de Cristo, caímos nessa tentação, a pior das tentações, a tentação da Pureza, o fermento dos Fariseus, matando-nos uns aos outros, aos gritos: «Deus conhece os seus!» Foi assim que Cristãos morreram às mãos de Cristãos, uns e outros imitando os carrascos de Cristo. Que fazer? mas não há nada a fazer? Sim, deixar crescer lado a lado: os resultados julgarão e muita ilusão se juntará à queima final. Mas não há nada a fazer até lá? Sim. Ainda que isso custe ao orgulho dos Zelotes, há coisas que é preciso deixar que aconteçam. E, para alegria dos obreiros da Paz, há muita coisa a fazer acontecer, em termos se sementeira sobre sementeira, de cultura e de cultivo da Natureza informada pela Graça....

Atenção ao mito da Natureza que volta sempre nas horas da Crise. Contra o Mito aí está o Logos, o Verbo de Deus que em nossas mentes e em nossos corações derramou o Espírito de Deus que nos esclarece sobre toda a verdade da Questão. A conversão, a Metanoia!, é permanente, e a vocação à Santidade é universal. A Fé é uma cultura, cultiva-se. O nosso Culto é cultura. Que fazer? Mas temos tanto que fazer! O trabalho dos campos, no seu ritmo de acção e contemplação, faz-nos muita falta ao nosso biorritmo. A Cidade precisa do Campo como do pão para a boca. As férias do verão poderiam ser a ocasião de uma autêntica peregrinação à Natureza, falo da Natureza trabalhada pelo Homem, e não da Natureza selvagem que essa cada vez mais só existe na cabeça dos Ecologistas... Digo Natureza trabalhada, e não despredada e poluída pelo Capitalismo que é tão desnaturante como o foi o Comunismo, as duas piores e mais desgraçadas heresias que estão a matar o planeta da Vida.

Que fazer? Temos tanto que fazer! Leiam as parábolas do Reino. Não uma só, mas as parábolas todas que se completam uma às outras. Façamos uma leitura católica, que não se fica por esta ou por aquela parábola nem lhes reduz a mensagem à letra... Domingo a domingo as parábolas, este ano segundo S. Mateus, sucedem-se umas às outras. Mas exigem uma peregrinação à Natureza tanto mais necessária quanto a falta de contacto com a Natureza tende a desnaturar-nos.

Entre a Cidade e o Campo, entre a Cidade e a sua Região, as trocas não podem limitar-se ao comércio, nem ao turismo que está a descambar em indústria e a dar cabo das nossas férias. Nunca foram muito boas as relações entre a Cidade e o Campo: é conhecida e proverbial a vaidade urbana e o rancor rural. As comunidades dos Cristãos teriam muito que fazer nesta aproximação, e na reeducação das mentalidades urbana e rural. Os sinais da Comunhão, não se deviam multiplicar? Quando é que as Igrejas assumem as suas regiões? Porque neste campo, para uma nova cultura, não é preciso deixar que as coisas aconteçam, mas é preciso fazer que elas aconteçam. Uma pastoral de Férias passaria por aí.

Uma cidade bem situada na sua região não deveria escoar nem esvaziar a população das vilas e aldeias de quem está à cabeça: não deveria centralizar a vida da Região e pouco a pouco desertificá-la, tornando-se capital dum deserto. As cidades estão a tornar-se antros e as aldeias estão a transformar-se em selva, lixeiras e pasto dos incêndios...
Leonel Oliveira
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NA COMUNHÃO DAS IGREJAS
BRAGANÇA

. Peregrinação

Realizou-se, a 7 deste mês, a XIV Peregrinação Diocesana ao Santo Cristo de Outeiro.

Centenas de pessoas, entre sacerdotes, religiosas e leigos, participaram nesta manifestação de fé que contou com a participação de D. José Rafael.

Dirigindo-se aos peregrinos, na homilia da Eucaristia, D. José Rafael lembrou o exercício da caridade como característica fundamental da vida cristã e que deve estar sempre presente no quotidiano das pessoas. Sem ela, nada feito, disse o prelado. Aos sacerdotes recomendou a dedicação de mais tempo à preparação do sacramento da Penitência, com especial incidência nos homens, de modo a integrá-los nas celebrações eucarísticas.


VIANA DO CASTELO

. Catequistas

Mais de mil catequistas participaram, no domingo 14, em Monção, na XIV Assembleia Diocesana dos Catequistas.

Depois dos trabalhos de grupos da parte de manhã sobre questões como Que é para mim ser cristão? Como é que eu vejo a Igreja? Como vejo este mundo em que vivo? Que respostas posso dar eu membro da Igreja ao mundo de hoje? seguiu-se, da parte de tarde, a apresentação das sínteses.

Estas questões estiveram também presentes na homilia proferida por D. Armindo Lopes Coelho ao afirmar que ser catequista é quem anuncia a salvação e o Salvador, ensina a Verdade para ser conhecida, mas também ajuda pedagógicamente a assimilar e viver o Evangelho, a imitar Cristo, que é também Caminho e Vida. Face à missão nobre que realiza, o catequista há-de examinar com cuidado o estado e a qualidade do terreno que é ele próprio, no esforço de se transformar em boa terra de provada fertilidade. E então está preparado e autorizado para a tarefa e missão de evangelizar, para o processo e programa que é refazer o tecido cristão da nossa sociedade.


BRAGA

. 8 novos padres

Um dia de ordenações é sempre data festiva nos anais da Igreja diocesana. Cada novo padre traz consigo um sinal de que Deus não esquece o seu povo; constitui garantia de não faltar a este o amparo do ministério ordenado. afirmou D. Eurico Dias Nogueira, no domingo, no Sameiro, quando presidia à cerimónia de ordenação de oito novos padres e 11 diáconos.

O significativo número de ordenados torna-se acontecimento raro, se não único, nas últimas décadas, apesar da vida sacerdotal não ser tarefa fácil, como sublinharia D. Eurico. E a propósito disto lembraria que ser padre não é fácil, nem humanamente gratificante face aos critérios que norteiam a nossa sociedade. Para além destas dificuldades, lembrou igualmente algumas das tentações que poderão fazer perigar a vocação sacerdotal: desânimo, acomodação, apego exagerado a lugares e pessoas e uma espécie de contrafacção que transfere os altos objectivos do ministério pastoral para centros de interesse que, comparados com os do Evangelho, não passam de contravalores: o dinheiro e aquilo que pode proporcionar em bugigangas inúteis, passatempos desmedidos em passeios e divertimentos, a vanglória do poder ou de notoriedade com vedetismos nos mass media, os jogos-fátuos da política partidária e do clubismo desportivo em termos aberrantes e absorventes, as amizades comprometedoras porque estranhas aos deveres assumidos e ao amor autêntico, dirigido a Deus e ao próximo com referência a Ele.

. Evangelização

O Centro Apostólico do Sameiro foi o local escolhido para a realização de mais um retiro para sacerdotes da diocese, entre os dias 8 e 12 deste mês. 25 participantes num retiro que contou com a orientação do padre jesuíta Jorge Oliveira e que teve por tema geral a alegria do anúncio do Evangelho.

Para o bispo auxiliar de Braga, D. Jorge Ortiga, a realização deste retiro decorreu em verdadeiro espírito sinodal e procurou ser uma oportunidade de reflexão e aprofundamento das novas formas de evangelização. Sobre a caminhada sinodal, já em fase adiantada, lembrou que tudo está a decorrer dentro das previsões com adesão de dois terços de comunidades paroquiais. O trabalho desenvolvido e as omissões ocorridas muito têm a ver com o empenho e disponibilidade dos párocos, como lembrou D. Jorge Ortiga.


VISEU

. Pastoral Universitária

A Pastoral do Ensino Superior de Viseu (PESV) vai encerrar as actividades deste ano escolar com a realização de um Campo de Férias, em Carcavelos, Lisboa.

Já na 5ª edição, a realização desta iniciativa assinala o termo das actividades de um ano e o planeamento do próximo, como tem acontecido em anos anteriores.

O tema do Campo de Férias/96 e do próximo ano será Juntos rumo ao ano 2.000!, procurando ser a integração na caminhada da celebração do Grande Jubileu, pedida pelo Papa e, ao mesmo tempo, um desafio ao empenhamento de professores e alunos no aprofundamento e vivência dos valores que dão sentido à Fé.


GUARDA

. Carmelo, sinal de Esperança

D. António dos Santos inaugurou, dia 15, o novo mosteiro de vida contemplativa, Carmelo da Santíssima Trindade da Guarda.

Foi um momento de festa cristã, como salientou D. António, e ponto alto de uma longa caminhada, que deu a esta Igreja diocesana uma comunidade de vida contemplativa. Apesar da riqueza histórica da Diocese, a inexistência do Carmelo era uma lacuna, pois ele constitui uma afirmação do absoluto de Deus e um sinal vivo do primado do espiritual - que a fascinação do imediato e do material tentam obscurecer, com prejuízo para os cristãos e para a própria sociedade.

O Carmelo, agora inaugurado, é um belo edifício em figura de barca, dedicado à Santíssima Trindade. A trindade das pessoas na uniddae da essência está admiravelmente expressa na concepção arquitectónica do edifício, em que o triângulo sugestivo das pessoas divinas assenta no círculo sugerido no chão, em que a cor diferente circular unifica o mistério, tocando nos vértices cada um dos lados do edifício levantado afirmou D. António dos Santos.


ALGARVE

. Museu

O Museu da Sé Catedral será, em breve, uma realidade. As sementes do projecto foram lançadas, na sexta feira passada, com a apresentação pública, num acto que se intregrou nas comemorações do aniversário da dedicação da Igreja-Mãe da diocese. A cerimónia promovida pelo cabido da Sé e presidida por D. Manuel Madureira Dias ficou assinalada pela inauguração da exposição de paramentaria e imaginária nos salões anexos à Sé, designados por Casas dos Cónegos e com um valioso espólio até agora, raras vezes, exibido ao público.

Este templo foi objecto de dedicação litúrgica quando era bispo do Algarve, nos anos 40, D. Marcelino Franco, um algarvio natural de Tavira e que pastoreou a Igreja algarvia durante quatro décadas.
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Aulas de Moral em análise

Decorreu, de 8 a 11 deste mês, em Fátima, na Casa de Nª Sª do Carmo, o 13º Encontro Nacional de responsáveis pelas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). Presentes no encontro, a Equipa Nacional de apoio à aula de EMRC e alguns membros de Equipas Diocesanas, Arciprestais e Paroquiais, num total de 74 participantes.

A partir de duas questões fundamentais: A importância da aula de EMRC - elementos de análise e A Escola, lugar de educação e evangelização, os participantes concluíram que existe a necessidade de uma pastoral escolar que sensibilize o clero, religiosos e leigos. Trata-se de um campo de acção que não pode restringir-se apenas às pessoas directamente envolvidas na escola, mas é preciso apontar em outras direcções. A formação dos docentes da disciplina foi também questionada. Não basta uma preparação científica e pedagógica, é preciso tornar sempre actual e actuante a especificidade do professor de EMRC. Por isso, concluíram os participantes no encontro, é fundamental uma formação atenta e contínua que dê aos professores e aos mandatados pelos párocos, uma perfeita consciência da realidade e os torne capazes de fazerem e serem junto dos alunos uma presença da Igreja. Aos professores compete também estimular os alunos para a matrícula na aula de EMRC, privilegiando no seu trabalho a motivação e o acolhimento dos alunos,


Padre Tobias reeleito superior da Consolata

Reunidos em Fátima, no princípio deste mês, os Missionários da Consolata elegeram a nova direcção, que irá orientar a Província durante o próximo triénio.

O padre Tobias Patrício de Oliveira foi reeleito superior, tendo sido confirmado o padre José Martins Fernandes como vice-supeior. Para conselheiros foram escolhidos os padres Darci Vilarinho, Pedro Louro e José Tavares Matias.

Durante esta reunião foi apresentada a visão global das actividades que estes missionários desenvolvem no nosso país, tendo sido sublinhada a necessidade de uma maior aposta na animação vocacional. Com efeito, o seminário da Consolata em família, instituição que substitui os antigos seminários menores, parece que ainda não deu provas suficientes de poder assegurar a média de ordenações que se registaram nos últimos anos. E, já agora, refira-se que o Instituto Missionário teve, no passado dia 14, na Sé do Porto, a ordenação do sacerdote Alvaro Domingos Leal Pacheco, natural da diocese do Porto e que partirá, em breve, para a Coreia do Sul.


Igreja rejuvenesce com novos padres

As ordenações constituem um dos momentos mais significativos da vida da Igreja. E, geralmente, os meses de Junho e Julho, salvo raras excepções, são, por motivos óbvios, escolhidos para a celebração das ordenações. Tal como em anos anteriores, as Igrejas locais vivem este acontecimento em clima de verdadeira festa cristã. São as famílias, os seminários e as comunidades paroquiais que rejubilam com a vitalidade de uma Igreja que olha o futuro com esperança quando acontece uma ordenação. Eis alguns dados referentes apenas aos meses de Junho e Julho deste ano:

Braga (oito padres e 11 diáconos), Lisboa (nove padres e cinco diáconos) Porto (sete padres e três diáconos), Viseu (3 padres), Portalegre/Castelo Branco (um padre e três diáconos), Algarve (um padre), Vila Real (um diácono), Bragança (um padre e três diáconos permanentes)), Beja (quatro diáconos permanentes), Lamego (dois diáconos).

A nível nacional o número de ordenações tem aumentado. Também, a nível mundial, o mesmo se verifica, com especial incidência em Africa e Asia. Na Europa a crise perpetua-se. Depois da crise verificada na década de 70, o anuário estatístico da Igreja Católica, divulgado recentemente, indica que os seminaristas maiores eram 105.075, contra 72.991 em 1970.

Os seminaristas europeus continuam a ser os mais numerosos (28,85 por cento), mas sofreram uma grande diminuição face à década de 70 (45,65 por cento).

Na América do Norte, a diminuição é ainda mais ecentuada:5,8 por cento em 1994 contra 18,78 por cento nos anos 70.

Ao contrário, entre 1970 e 1994, os seminaristas maiores da Asia passaram de 14,55 por cento para 23,18 por cento e os africanos, de 5,33 por cento para 16,4 por cento.

Em Africa, o número de seminaristas aumentou em quase 400 por cento em 25 anos, passando de 3.470 em 1970 para 17.125 em 1994.

Na América Latina, aumentaram de 5.041 na década de 70 para 17.088 em 1994.
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