De 18 a 25 a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Cristãos devem tornar-se ministros da reconciliação

«Reconciliem-se com Deus» é o apelo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que decorre de 18 a 25, isto é, que se inicia no próximo sábado. A celebração ecuménica diocesana será no dia 23, 5ª-feira, na igreja de Mafamude, V. N. de Gaia, para o que foram convidadas as paróquias do Porto e das vigararias de Gaia.

Tem salientado a Igreja que a unidade dos cristãos está, hoje nas mãos de cada um, uma vez que deve surgir a partir de passos concretos das comunidades e, sobretudo, de uma maior fidelidade ao Evangelho de Cristo. «Em nome de Cristo peço-lhes, irmãos, que se reconciliem com Deus» é a frase de S. Paulo (2Cor.5,20) que é proposta à meditação de todos os cristãos. Se o último milénio foi de divisão dos cristãos, importa que no próximo se acabe com esse grave escândalo para um mundo que parece afastar-se de Deus. João Paulo II lembra no documento de preparação para o novo Milénio que todos devem fazer exame de consciência e empenhar-se mais na oração ecuménica mas também dar passos para que sejam superadas as divisões existentes. Assim, o caminho da unidade deverá ser percorrido por todos colocando-se em atitude de preparação para o Jubileu da Redenção.

A Comissão Episcopal da Doutrina da Fé e o Conselho Português de Igrejas Cristãs editaram um caderno de apoio para a Oração pela Unidade dos Cristãos, que pode ser aproveitado para diversos encontros de oração ecuménica. O texto foi elaborado a partir do trabalho de um grupo designado pelo Conselho Pontifício e pela Comissão «Fé e Constituição» e que se reuniu nos arredores de Estocolmo, Suécia. A partir do tema bíblico proposto à reflexão e que é tirado da II Carta de S. Paulo aos Coríntios (5, 16-21) esclarecem que, «quem vive unido a Cristo», tornar-se-á «uma pessoa nova», pois, se Cristo «reconciliou a humanidade»,deverá ser também em nome de Cristo que todos devem «reconciliar-se com Deus» e daí resultará necessariamente a reconciliação entre os cristãos.

Essa «reconciliação com Deus em Jesus Cristo» fará dos cristãos verdadeiros «ministros da Reconciliação» e isso é aguardado com interesse por um tempo em que muitos desejam a reconciliação e em que até vão sendo dados passos significativos para isso, como acontece com a preparação da II Assembleia Ecuménica Europeia que decorrerá em Graz, na Áustria, e foi convocada pela Conferência das Igrejas Europeias e pelo Conselho das Conferências Episcopais Europeias. Terá por tema «A reconciliação, dom de Deus e fonte de vida nova» e decorrerá de 23 a 29 de Junho.

Recomenda a proposta de preparação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que seja proclamado com clareza o «Evangelho da Reconciliação» de modo que todos os cristãos tentem tornar-se «embaixadores da Reconciliação em Cristo» na linha do caminho já iniciado em 1908, com o aparecimento da referida Semana. Desde essa data, merecem relevo o apelo feito em 1920 em Constantinopla para que se formasse uma «comunhão de Igrejas cristãs», a constituição em 1948 do Conselho Mundial das Igrejas e sobretudo a proclamação unioversal pelo Vaticano II de que o caminho da unidade será irreversível.

Merecem ainda relevo alguns outros factos como a reunião Ecuménica de Basileia «Paz, Justiça e Preservação da Criação», diversos encontros de diálogo e acordos teológicos entre as Igrejas, a Declaração de Fé comum da Igreja Católica com algumas Igrejas antigas do Oriente, etc. «Em nome de Cristo peço-vos que se reconciliem com Deus», o apelo agora a cada pessoa e comunidade denota que nas mãos de cada cristão estará o êxito do caminho da unidade. Vem já do Evangelho (Mt.5, 23) a exigência de que, antes de apresentarem a sua oferta, os cristãos devem reconciliar-se. Esta advertência foi sendo esquecida ao longo de um milénio que multiplicou a divisão. E o pior é que continua a acontecer em pessoas e comunidades que teimam em «abrir o seu caminho» em vez de entrarem no caminho que Cristo iniciou.


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