
Quando o Coro da Sé Catedral do Porto pensou celebrar os 25 anos de existência, idealizou um programa amplo que fosse a expressão da sua realidade eclesial, como associação diocesana vocacionada para música da Igreja e, sobretudo, que constituísse um pólo de relançamento do movimento renovador da qualidade musical no culto divino e de uma alargada e efectiva presença da Igreja no mundo da cultura e da arte. Evidentemente que o ambicioso programa, pelos habituais motivos, não pôde ser totalmente realizado.
Esta vertente da acção do Coro da Sé, de apoio à actividade coral na nossa Igreja do Porto, já se manifestara noutras circunstâncias e noutras datas expressivas, como nas Bodas de prata sacerdotais e Bodas de ouro episcopais do Bispo diocesano, nos seus 10º e o 20º aniversários. Ao Coro da Sé juntaram-se vários Coros litúrgicos das paróquias e igrejas da nossa diocese (centenas, na visita do Papa ao Porto; 55, na Sé, para um Concerto para Coros e Órgão; e uma dezena, noutras circunstâncias).
A actividade coral na nossa diocese é uma realidade pastoral muito séria (mais não dizendo, a fim de não parecer exagerado!). Uma sondagem de há 10 anos (por isso, já desactualizada), por ocasião do Congresso diocesano de leigos, produziu os seguintes números: 746 Coros, 94% dos quais ensaiam uma vez por semana e os restantes 6% ou 2 vezes por semana ou uma vez de quinze em quinze dias ou, ainda, uma vez por mês. A expressão eclesial quantitativa é impressionante: multiplique-se por 10 (uma média irrisória de elementos por Coro) e, em seguida, por 2 (1 hora de ensaio e outra de celebração) e obter-se-á uma pálida ideia do que significa esta actividade semanal na nossa diocese. Importa, contudo, lembrar e sublinhar que os coralistas têm por detrás as famílias e outros grupos de amigos, de trabalho ou de vizinhança que, de modo indirecto, participam na sua actividade. O resultado é o seguinte: milhares de pessoas dedicam semanalmente à Igreja milhares de horas (duas horas, no mínimo, por pessoa).
Esta é a realidade material. Desde há anos que se vem incrementando um trabalho de valorização liturgico-musical destes coros. Os diversos acontecimentos corais que foram assinalando as várias efemérides diocesanas, têm constituído marcos importantes nessa caminhada e busca de uma qualidade musical, exigência intrínseca do culto divino e de uma linguagem apropriada à nova evangelização. Também, neste campo, uma larga dezena de coros deram já um passo qualitativo. A expressão disso poderá espelhar-se na selecção do repertório musical. Com efeito, a grande escola de formação dos Coros litúrgicos continua a ser o canto gregoriano e a polifonia clássica. A sondagem já referida, indicou que 260 coros da nossa diocese cantavam a vozes. Tal dado, ainda quantitativo, faz ressaltar um esforço notável de elevação do nível musical das nossas celebrações. A maior dificuldade vem da falta (a sondagem apresenta 523 maestros para 746 coros) ou impreparação (que na sondagem não pôde ser avaliada) dos directores de coros. Mas o nosso conhecimento directo poderia indicar algumas dezenas de coros com um bom nível musical e com capacidade para evoluir, para crescer qualitativamente.
Por um motivo simbólico, o Coro da Sé que celebrava os seus 25 anos, convidou 24 Coros da nossa diocese e pediu ao Dr. Ferreira dos Santos que compusesse uma Cantata para estes Coros. Poderiam ter sido mais coros (haverá, concerteza, mais oportunidades, queira Deus). A obra composta, embora exigente e puxando pelo nível existente, estava ao alcance desses coros, como foi possível verificar nos últimos concertos. O trabalho de preparação iniciou-se em 21 de Maio passado. Implicou um enorme esforço que se cifrou por dezenas de ensaios por Coro e de conjunto e despesas avultadas. Pelo caminho ficaram 10 Coros que, por razões diversas e de circunstância, não puderam acompanhar o ritmo imposto. O trabalho de preparação foi duro, mas o entusiasmo e a generosidade foram excessivamente maiores. Durante meio ano, graças também ao trabalho directo e à competência do maestro Eugénio Amorim, funcionou, na nossa diocese, uma verdadeira escola coral que deu este precioso fruto e que dará outros ainda maiores. Por isso, e era importante dizê-lo - para abrir muitos olhos... - o Concerto Monumental (pela quantidade de executantes e pela qualidade, ali harmoniosamente casadas) foi apenas a ponta de um iceberg. Os 14 Coros, com o Coro da Sé, representaram uma Igreja que sabe cantar (e por isso rezar: bis orat qui bene cantat), para a glória de Deus e para a elevação do homem. Os Concertos foram, com efeito, acima de tudo, uma expressiva manifestação da Igreja Diocesana.
| Pe. Manuel Amorim |
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